Estresse térmico: entenda os riscos da exposição ao calor extremo
Ondas de calor intensas, impulsionadas pelas mudanças climáticas, tornaram-se uma preocupação constante, transcendendo as estações do ano. Independentemente da época, as altas temperaturas podem levar ao estresse térmico, uma condição que exige atenção e cuidados.
Em dias de calor intenso, medidas preventivas como hidratação constante, busca por sombra e uso de protetor solar são cruciais. No entanto, mesmo seguindo essas recomendações, o estresse térmico ainda pode ocorrer, dependendo da temperatura ambiente e das características geográficas do local, como a presença de áreas arborizadas ou a concentração de edifícios.
O estresse térmico surge quando o corpo é exposto a temperaturas extremas, especialmente o calor, e não consegue dissipar o calor absorvido de forma eficiente. Em condições normais, o organismo utiliza mecanismos como a transpiração e a dilatação dos vasos sanguíneos para se resfriar. No entanto, em temperaturas muito elevadas, esses mecanismos se tornam insuficientes, resultando no acúmulo excessivo de calor e na dificuldade em manter a temperatura interna ideal de aproximadamente 36,5°C.
Essa condição leva à perda excessiva de sais minerais e eletrólitos, causando desidratação e sintomas como cansaço, náuseas, sudorese intensa e aumento da frequência cardíaca, o que pode elevar a pressão arterial.
A gravidade do estresse térmico varia de acordo com diversos fatores, incluindo a duração da exposição ao calor (contínua ou intermitente), condições de saúde preexistentes, condições sociais e predisposição genética.
Crianças são particularmente vulneráveis, pois seus mecanismos de equilíbrio homeostático ainda não estão totalmente desenvolvidos. O desequilíbrio homeostático resultante do estresse térmico pode causar tontura, sensação de desmaio, enjoo, dor de cabeça e, em casos mais graves, aumentar as hospitalizações e a mortalidade por doenças cardiovasculares e respiratórias. Pacientes em hemodiálise, por exemplo, precisam monitorar a pressão arterial e manter o corpo hidratado para evitar complicações.
Idosos também são um grupo de risco, pois frequentemente apresentam dificuldades em manter o equilíbrio homeostático e desidratam-se com facilidade. Gestantes também precisam monitorar a pressão arterial e aumentar o consumo de líquidos para evitar problemas.
Além dos impactos físicos, o estresse térmico pode afetar o estado emocional, prejudicando o sono e causando alterações de humor. Falta de energia, ansiedade e irritabilidade também são sintomas comuns.
Em casos extremos, o estresse térmico pode ser fatal. Em 2020, cerca de 4.200 trabalhadores em todo o mundo morreram devido à exposição a altas temperaturas, representando um aumento de 66% em comparação com o início dos anos 2000, conforme apontado por um relatório.
Para mitigar os efeitos do estresse térmico, é fundamental manter o corpo hidratado, consumir alimentos frescos e leves, buscar ambientes ventilados (à sombra ou com ar condicionado), usar roupas leves e evitar a exposição solar nos horários de pico.


