O terceiro leilão do ecoinvest mira o agro com incentivos verdes
O terceiro leilão do EcoInvest, iniciativa governamental que visa impulsionar projetos sustentáveis combinando investimento público e privado, está previsto para o final de 2025. Esta edição expande o escopo para incluir cerca de 15 segmentos, com foco especial nas cadeias produtivas ligadas ao agronegócio, como a produção de biocombustíveis (SAF, biogás e biometano), bioinsumos e biofertilizantes.
De acordo com especialistas, o potencial reside na interconexão dessas cadeias, onde o desenvolvimento de uma área impulsiona o crescimento de outras, como no caso da produção de etanol, SAF e biometano. Há grande expectativa em relação ao desenvolvimento de tecnologias de armazenamento de energia, com o Brasil possuindo uma oportunidade única nessas cadeias auto-sustentáveis.
Bancos interessados em participar do leilão têm até 19 de dezembro para submeter suas propostas. Uma mudança significativa em relação às edições anteriores é a inclusão de investimentos em participação societária (equity), além dos tradicionais instrumentos de dívida. O objetivo principal é que esse investimento seja realizado por meio de fundos, que acessarão os recursos disponibilizados pelos bancos participantes do leilão, o qual exige uma alavancagem mínima de três vezes o montante tomado junto ao Tesouro.
O EcoInvest busca incentivar investimentos no formato de private equity, com alocação prevista para um período de cinco anos. Especialistas do setor sugerem que, no contexto do agronegócio, há espaço para estruturas que envolvam grandes empresas, capazes de realizar análises precisas da cadeia produtiva e minimizar os riscos dentro desses fundos.
Uma possível estrutura envolve empresas âncora do setor, como grandes revendas ou indústrias químicas, que já possuem um processo de avaliação dos players menores. É possível criar operações onde os tomadores de recursos ou compradores sejam esses grandes agregadores, que captam recursos para investir em crédito ou equity, dependendo das condições do leilão.
Os fundos criados a partir desta edição do EcoInvest devem ter pelo menos 15% de investidores estrangeiros e alocar um mínimo de 20% em empresas em estágio inicial (venture capital). Caso não seja possível atingir essa porcentagem em venture capital, a alocação poderá ser direcionada a instituições como a Embrapii e o ICT (Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação).
O Tesouro Nacional repassará os recursos aos bancos a juros de 1% ao ano, com a obrigação de que as instituições financeiras implementem dois mecanismos de incentivos. Metade dos recursos subsidiados deverá permanecer na tesouraria do banco, e parte desse montante deverá ser utilizada para adquirir derivativos de câmbio, que serão oferecidos aos investidores estrangeiros que participarem dos fundos de investimento, minimizando eventuais perdas decorrentes da valorização do real. A outra metade dos recursos subsidiados será destinada às estruturas dos fundos do EcoInvest, sejam eles geridos pela própria asset do banco ou por outras gestoras, a um custo de 5% ao ano.
Este montante será investido no fundo, seja através de um empréstimo ou da aquisição de cotas, e o excedente de retorno será utilizado como suporte para atrair capital. Ele pode constituir um “first loss” ou outro instrumento que mitigue o risco de uma carteira de investimento em projetos de maior risco.
Projetos que possuam alguma integração com cadeias globais, seja por meio de co-investimentos ou contratos de offtake, poderão gerar vantagens adicionais, como um ano adicional de carência no empréstimo original concedido ao banco, permitindo que o projeto na ponta tenha melhores condições financeiras e beneficie o comprador com um contrato de longo prazo.


