Inflação em queda: alívio no bolso e impacto nos contratos

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O panorama econômico nacional apresenta sinais promissores para o consumidor, com uma inflação mais contida e a possibilidade de reduções na taxa Selic pelo Banco Central. Índices como o IGP-M e o IPCA-15 de novembro demonstram um ritmo mais lento no aumento dos preços, o que influencia diretamente o poder de compra das famílias e o planejamento financeiro de muitos.

Em novembro, o IGP-M registrou um aumento de 0,27%, um resultado que acompanha as expectativas do mercado, embora seja superior à queda de 0,36% observada em outubro. Mesmo com essa variação positiva, a inflação acumulada em 12 meses permanece em território negativo, com -0,11%. Essa diminuição é particularmente relevante para contratos de aluguel, que geralmente são corrigidos pelo IGP-M. Especialistas indicam que essa situação é favorável para os inquilinos, já que os contratos que estão sendo renovados neste período não devem sofrer grandes reajustes, permitindo que o valor do aluguel seja mantido sem aumentos.

Para entender melhor os efeitos da inflação na vida cotidiana do consumidor, é essencial conhecer a composição e o funcionamento dos principais índices. O IGP-M, calculado pela Fundação Getulio Vargas, é composto por 60% de preços no atacado, com forte influência de commodities e indústria, 30% de varejo (IPC) e 10% de construção civil. Devido a essa composição, o IGP-M é mais suscetível a variações cambiais e aos preços internacionais de commodities. Já o IPCA-15, calculado pelo IBGE, mede a inflação voltada exclusivamente para o consumidor e difere do IPCA convencional no período de coleta de dados.

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O IPCA é o índice oficial da inflação no Brasil e é utilizado pelo Banco Central como principal referência para as decisões de política monetária, como a definição da taxa Selic. Ao contrário do IGP-M, o IPCA é menos sensível às variações cambiais e de commodities, refletindo mais diretamente o impacto da inflação na vida do consumidor final.

A desaceleração da inflação traz benefícios diretos para o orçamento das famílias. Um dos impactos mais evidentes é nos contratos de aluguel, que utilizam o IGP-M como índice de correção. Com a inflação em queda ou negativa em 12 meses, os contratos que vencem agora podem permanecer com valores estáveis, representando economia para muitos inquilinos. Além disso, a queda de preços no atacado e o fortalecimento do real frente ao dólar contribuem para estabilizar os preços de produtos importados e insumos da indústria, reduzindo o repasse de custos ao consumidor final.

Com preços mais estáveis, as famílias podem planejar melhor seus gastos e até aumentar o consumo em setores sensíveis à inflação, como alimentação, transporte e serviços. Essa estabilidade se traduz em maior poder de compra, permitindo que o salário renda mais ao longo do mês. Além de aluguéis, outros contratos atrelados ao IGP-M, como planos de saúde, tarifas de serviços e contratos de construção, também são beneficiados por índices mais controlados. Empresas e consumidores podem planejar investimentos e despesas com maior previsibilidade, diminuindo as incertezas econômicas.

A combinação do IPCA-15 e do IGP-M mais controlados reforça a confiança do Banco Central em iniciar um ciclo de cortes na taxa Selic mais cedo do que o esperado. Uma redução da Selic impacta diretamente financiamentos, empréstimos e crédito ao consumidor. Juros mais baixos podem incentivar o consumo, permitir o refinanciamento de dívidas com menores custos e aumentar o acesso ao crédito, beneficiando a economia doméstica e impulsionando o poder de compra.

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O termo inflação “civilizada” se refere a um aumento de preços moderado e controlado, que não gera pressões excessivas sobre a economia nem prejudica o consumo. Nesse contexto, o Banco Central tem mais liberdade para reduzir a Selic sem o risco de acelerar novamente a inflação, equilibrando crescimento econômico e estabilidade de preços. A expectativa para o futuro é de uma inflação moderada, permitindo que famílias e empresas planejem investimentos, compras e ajustes financeiros com maior segurança.

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