Magalu aposta em inteligência artificial e vendas disparam no whatsapp

O Magazine Luiza mergulhou de cabeça no universo da inteligência artificial e já colhe os primeiros frutos dessa aposta. Após uma imersão no Vale do Silício, onde executivos da empresa, incluindo Fred Trajano (CEO), Caio Gomes (Chief AI Officer) e André Fatala (VP de plataformas), visitaram gigantes como Nvidia, OpenAI, Meta e Google, o Magalu lançou uma experiência inovadora de “AI Commerce” dentro do Whatsapp.
A iniciativa, que utiliza o número de Whatsapp da Lu, avatar virtual da marca, visa criar uma jornada de compra conversacional e contextualizada diretamente no aplicativo de mensagens. Clientes podem interagir com a Lu para buscar produtos, comparar modelos e receber sugestões personalizadas, tudo com o auxílio de diversos agentes de inteligência artificial especializados em diferentes funções, desde comparação de preços até conversas informais.
A experiência de compra é simplificada ao máximo. O sistema identifica o cliente pelo número de celular e o pagamento é realizado diretamente no Whatsapp, eliminando a necessidade de abrir o aplicativo do Magalu. Os resultados iniciais são promissores: as vendas pelo Whatsapp estão convertendo três vezes mais do que as vendas pelo aplicativo tradicional da empresa. Além disso, o NPS (Net Promoter Score), principal métrica de satisfação do cliente, atingiu a marca de 90, superando o NPS geral do Magalu, que é de 78.
De acordo com a empresa, o “AI Commerce” tem o potencial de aumentar a lealdade e a frequência de compra dos consumidores, assim como o programa Prime da Amazon. A empresa avalia que o “unit economics” do AI Commerce pode ser mais vantajoso do que o das vendas realizadas pelo aplicativo, especialmente se conseguir reduzir os custos com mídia e publicidade.
Entretanto, a operação do AI Commerce também envolve custos significativos. O Magalu paga à Meta por cada mensagem enviada no Whatsapp, além dos custos de infraestrutura para rodar os modelos de inteligência artificial e os chamados “tokens” dos LLMs (Large Language Models).
O projeto do Magalu é considerado inédito no mundo. Apesar de outros varejistas já realizarem vendas “end to end” no Whatsapp, a abordagem do Magalu, com LLMs, diversos agentes de AI e funcionalidades como pagamentos via Pix e comandos de voz, se destaca pela sua sofisticação.
A iniciativa do Magalu coincide com a conclusão do “ciclo de ecossistema” da empresa, que envolveu diversas aquisições, como Kabum, Netshoes e Época, expandindo sua receita para além do varejo de eletroeletrônicos. A empresa também investiu em operadores logísticos e fintechs, criando o MagaluPay.
A aposta na inteligência artificial ocorre em um momento de recuperação operacional da companhia. A margem EBITDA aumentou e as despesas financeiras foram reduzidas, impulsionadas por uma capitalização liderada pela família Trajano. As empresas adquiridas também começaram a apresentar resultados positivos.
Ainda segundo a empresa, as ações da companhia já subiram 75% este ano, impulsionadas principalmente pela queda das taxas de juros, mas a melhora operacional ainda não está totalmente refletida no preço das ações.



