Usinas brasileiras enfrentam desafios; raízen pode sentir mais o impacto

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O ano se mostra desafiador para as principais usinas brasileiras listadas na bolsa de valores, com diferentes níveis de resiliência esperados para cada uma. A Raízen (RAIZ4) pode enfrentar maiores dificuldades em comparação com a São Martinho (SMTO3) e a Jalles Machado (JALL3), segundo análises recentes.

A São Martinho se destaca pela eficiência superior de suas unidades de produção, o que pode lhe conferir uma vantagem competitiva. Já a Jalles Machado possui um volume considerável de açúcar com hedge, o que pode protegê-la de flutuações desfavoráveis nos preços.

Por outro lado, a Raízen enfrenta desafios operacionais e comerciais relacionados aos novos produtos que desenvolveu, como o etanol de segunda geração e o biogás. A complexidade inerente à introdução e escala de novas tecnologias pode impactar seus resultados.

O cenário para as usinas brasileiras já foi adverso, refletindo os impactos de queimadas e condições climáticas desfavoráveis na safra. Essa situação levou a preços e produtividade mais baixos. Inicialmente, as usinas maximizaram a produção de açúcar, mas posteriormente ajustaram o mix para aproveitar os melhores preços do etanol.

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A perspectiva para o próximo ano é de que a rentabilidade continue pressionada, com preços do açúcar em patamares considerados fracos e uma possível queda nos preços do etanol. Esse cenário pode levar a cortes nos investimentos previstos em novas plantas. Os preços atuais estão abaixo do custo de produção para a maioria dos produtores, o que pode resultar em interrupções nas operações ou adiamento de investimentos em manutenção dos canaviais, visando preservar o balanço patrimonial.

Uma possível exceção seriam os produtores localizados em estados distantes do litoral, onde os custos de logística para exportação de açúcar são mais elevados e onde há incentivos fiscais para a produção de etanol. Nesses casos, as usinas tendem a aumentar a produção de etanol quando os preços se aproximam, como no cenário atual.

A expectativa é de um aumento de 3% no processamento de cana-de-açúcar na safra, impulsionado pela preferência pela produção de etanol em detrimento do açúcar, devido a melhores dinâmicas de preço. O baixo volume de hedge de açúcar feito até o momento também proporciona maior flexibilidade para essa mudança no mix.

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O aumento da demanda por etanol, impulsionado pelo mandato que elevou a mistura na gasolina, e os estoques em baixa também contribuem para sustentar os preços. No entanto, o aumento na oferta de etanol, tanto de cana quanto de milho, pode atenuar esse impulso, levando a uma possível queda nos preços.

A Jalles Machado obteve recentemente um financiamento de R$ 200 milhões junto ao BNDES, no âmbito de um programa emergencial. Os recursos visam mitigar as perdas decorrentes de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre a exportação de açúcar orgânico, que afetaram significativamente as vendas da empresa para o mercado americano. O financiamento possui uma taxa de juros de 3,53% ao ano, com um período de carência de 12 meses e pagamento em 48 parcelas mensais.

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