Ações da kepler weber disparam e agitam o mercado financeiro

Compartilhe

A Kepler Weber, tradicional fabricante de silos agrícolas, tem sido o centro das atenções no mercado financeiro. Nos últimos três pregões, o volume de negociações de suas ações registrou um aumento expressivo, gerando especulações e análises sobre os motivos por trás desse movimento incomum.

Desde quinta-feira, o volume diário de negociações ultrapassou os 6 milhões de papéis, um valor consideravelmente superior à média dos últimos 30 dias, que girava em torno de 1,2 milhão. Esse aumento repentino despertou o interesse de investidores e analistas, que buscam entender as razões para essa alta atividade.

Uma das explicações levantadas por acionistas de longa data da Kepler Weber está relacionada à divulgação do balanço do terceiro trimestre na última quarta-feira. O resultado apresentou uma margem Ebitda de 17,4%, superando as expectativas do mercado, especialmente em um período de demanda considerada fraca. Esse desempenho positivo teria atenuado o pessimismo anterior e impulsionado o interesse dos investidores.

Publicidade

Essa interpretação sugere que investidores que apostavam na queda das ações (posição vendida) foram surpreendidos pelo bom desempenho da empresa, o que os forçou a recomprar os papéis para cobrir suas posições, gerando um “short squeeze” e impulsionando ainda mais a alta das ações. Dados do TradeMap revelam que, em 31 de outubro, quase 10% do free float da Kepler estava alugado, totalizando mais de 13 milhões de ações alugadas, o maior patamar do ano.

No entanto, nem todos concordam com a explicação do “short squeeze”. Surgiram rumores sobre um possível interesse da Bunge na aquisição da empresa. Informações sobre o interesse da americana GSI, controlada pela firma de private equity AIP, na aquisição da Kepler Weber também vieram à tona. A GSI, líder no mercado de silos agrícolas nos Estados Unidos, possui uma participação menor no Brasil, e a aquisição da Kepler Weber representaria uma oportunidade de expandir sua presença no país.

Essa não seria a primeira vez que a GSI demonstra interesse na Kepler Weber. Em 2007 e 2017, a empresa americana já havia feito ofertas para adquirir a fabricante brasileira de silos, mas as negociações não se concretizaram. Em 2017, a AGCO, então controladora da GSI, chegou a um acordo com a Previ e o Banco do Brasil, que detinham 35% do capital da Kepler à época, mas desistiu da aquisição posteriormente.

Atualmente, a Kepler Weber está avaliada em quase R$ 1,6 bilhão. Entre os maiores acionistas da empresa, destacam-se a gestora Trígono Capital (15,3%) e a família Heller (11,6%). No acumulado do ano, as ações da fabricante de silos registram uma queda de 1,6%.

Publicidade

A reportagem procurou a Trígono Capital e a Kepler Weber para obter um posicionamento sobre as recentes movimentações no mercado, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

Compartilhe