Aiea aprova resolução nuclear e irrita o irã, que prevê impacto negativo

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Aprovada nesta quinta-feira, uma resolução do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que apela ao Irã para cooperar “plena e imediatamente” em relação ao seu programa nuclear gerou forte reação em Teerã. Segundo declarações de Reza Najafi, a resolução “não acrescenta nada à situação atual, não é útil e é contraproducente”, e “terá certamente um impacto negativo na cooperação que já começou entre o Irã e a agência”.

A resolução, apresentada por França, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos, foi aprovada com 19 votos a favor, três contra e 12 abstenções. O texto exorta o Irã a uma “cooperação completa e rápida” e a “fornecer as informações e o acesso” às instalações nucleares solicitados pela AIEA.

Representantes de Irã, China e Rússia, entre outros, já haviam alertado que a aprovação de qualquer nova resolução “pode minar o impulso de cooperação e o ambiente político construtivo que caracterizaram as recentes interações entre o Irã e a agência”, classificando-a como uma “ação provocadora”.

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O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, reiterou o apelo para que o Irã autorize inspeções aos locais atacados em junho, durante um conflito com Israel, no qual os Estados Unidos também se envolveram. A aprovação da resolução, segundo agências de notícias, pode intensificar as tensões entre a AIEA e o Irã, que historicamente tem reagido de forma contundente a iniciativas semelhantes.

O Irã é legalmente obrigado a cooperar com a AIEA sob o Tratado de Não Proliferação Nuclear, mas ainda não concedeu acesso aos inspetores da agência aos locais nucleares afetados pelo conflito de junho. Além disso, a AIEA não conseguiu verificar o estado do estoque de urânio enriquecido próximo de nível militar desde os ataques a instalações nucleares iranianas.

De acordo com a AIEA, o Irã mantém um estoque de 440,9 quilogramas de urânio enriquecido até 60% de pureza – um pequeno passo técnico abaixo dos 90% necessários para uso militar. Grossi alertou que esse estoque poderia permitir ao Irã construir até 10 bombas nucleares, caso decida militarizar o programa, embora tenha enfatizado que isso não significa que o Irã possua tal arma.

O Irã suspendeu a cooperação com a AIEA após o conflito. Em setembro, um acordo para retomar as inspeções foi alcançado, mas a ONU reimplementou sanções ao Irã, levando Teerã a suspender a aplicação do acordo. A resolução aprovada exige que o Irã “atue estritamente em conformidade” com o Protocolo Adicional, que confere mais poderes à AIEA para inspeções surpresa em locais nucleares não declarados. O Irã suspendeu a aplicação do protocolo em 2021, após a saída dos Estados Unidos do acordo nuclear de 2015. O Irã insiste que seu programa nuclear é pacífico, mas a AIEA e países ocidentais afirmam que Teerã manteve um programa nuclear militar organizado até 2003.

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Fonte: www.noticiasaominuto.com

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