Aneel alerta sobre risco crítico no sistema elétrico brasileiro
Aneel alerta para risco de colapso no sistema elétrico brasileiro devido ao crescimento acelerado da energia solar distribuída.

O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Feitosa, fez um alerta nesta quinta-feira (16) sobre uma situação considerada “extremamente perigosa” no sistema elétrico do Brasil. O crescimento acelerado da geração solar distribuída no país tem colocado em risco o equilíbrio entre produção e consumo de energia, podendo levar a um colapso caso medidas não sejam tomadas.
Segundo Feitosa, a chamada rampa de carga das hidrelétricas pode crescer 33% até 2028, passando dos atuais 40 gigawatts (GW) para 53 GW.
O aumento da energia solar em residências e comércios tem gerado um desafio operacional inédito para o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Durante o dia, a produção solar muitas vezes supera a demanda, mas ao final da tarde, quando a geração diminui e o consumo aumenta, as hidrelétricas precisam compensar rapidamente. “Isso é extremamente perigoso.
Imagine nesse momento de rampa, se tivermos um incidente, uma danificação de equipamento importante ou uma descoordenação de proteção. Simplesmente vai a pique o sistema”, declarou Feitosa durante audiência no Congresso.
O diretor da Aneel destacou a magnitude do problema: os 40 GW atuais equivalem ao pico de consumo da Espanha, enquanto os 53 GW previstos representariam o total consumido em toda a Península Ibérica. Esse crescimento desordenado evidencia a complexidade de integrar grandes volumes de geração solar de forma segura e eficiente.
Os efeitos já são sentidos na prática. O curtailment, ou cortes de geração renovável, mostra a fragilidade do sistema. Dados do ONS indicam que mais de 1,2 TWh deixaram de ser gerados entre setembro de 2023 e junho de 2024 por esse motivo. No Dia dos Pais, quase 40% da energia nacional veio de painéis solares, forçando uma operação emergencial para evitar apagões.
A Medida Provisória 1304/2025, atualmente em análise no Congresso, pretende modernizar as regras do setor elétrico e propor soluções para reduzir os riscos. Entre as medidas estudadas estão tarifas especiais para estimular o consumo em horários de alta geração solar e maior controle sobre usinas de geração distribuída.
Especialistas apontam que o desafio brasileiro é similar ao de outros países que avançam na adoção de energias renováveis, como Estados Unidos, China e Austrália, onde a integração das fontes exige ajustes constantes no sistema elétrico para evitar instabilidades. O alerta da Aneel reforça a urgência de políticas e medidas práticas para garantir que o crescimento da energia limpa não se transforme em risco de colapso para o Brasil.





