Aves em alerta: remoção de barreiras naturais ameaça ecossistemas

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A remoção de barreiras naturais por ações humanas está comprometendo a estabilidade dos ecossistemas e a diversidade funcional de aves ao redor do mundo. Ações como polinização, dispersão de sementes e predação, executadas por diferentes espécies de aves, garantem uma rede de segurança crucial para a saúde dos ecossistemas. No entanto, alterações no uso da terra, incluindo a modificação de habitats, urbanização e expansão agrícola, estão eliminando essa proteção natural, tornando os ecossistemas mais vulneráveis.

Um estudo recente, baseado em dados de quase 3.700 espécies de aves em 1.200 locais ao redor do globo, utilizou simulações computacionais para demonstrar como a mudança no uso da terra reduz o número de espécies que desempenham funções ecológicas vitais. Essa diminuição na diversidade funcional torna os ecossistemas mais suscetíveis à futura perda de biodiversidade.

De acordo com os pesquisadores, mesmo que a riqueza de espécies e a diversidade funcional permaneçam relativamente altas, a perda de redundância funcional expõe os ecossistemas aos impactos das mudanças climáticas globais. Isso foi observado em diversos ambientes, desde florestas tropicais até regiões polares.

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O estudo avaliou a contribuição das aves para as funções ecológicas com base em informações detalhadas sobre cada espécie, como dieta, tamanho corporal, formato do bico e formato das asas. Os resultados indicam que habitats perturbados tendem a ser dominados por um número limitado de espécies tolerantes a perturbações, que ocupam nichos ecológicos semelhantes.

Essa dominância resulta em uma diminuição na diversidade funcional geral, deixando funções-chave sem cobertura adequada. Consequentemente, pode haver um efeito cascata, levando à redução na regeneração florestal, diminuição do armazenamento de carbono e aumento de infestações de pragas em plantações.

Diante da aceleração das mudanças no uso da terra em nível global, o estudo aponta para uma necessidade urgente de gerenciar e preservar a diversidade funcional, visando garantir que os ecossistemas futuros continuem a funcionar de forma a contribuir para a sustentabilidade da vida humana e a estabilidade econômica. Ao focar no papel crucial das espécies dentro dos ecossistemas, os formuladores de políticas podem identificar riscos e salvaguardar a estabilidade ecológica para o benefício tanto da vida selvagem quanto das pessoas. O estudo oferece, assim, uma nova estrutura para avaliar a vulnerabilidade dos ecossistemas e técnicas para gerenciar iniciativas de conservação.

Fonte: www.tempo.com

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