Boa safra obtém receita recorde após crescimento estratégico

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A Boa Safra, empresa do setor de sementes, registrou um aumento de 56% nas vendas durante o terceiro trimestre, alcançando uma receita líquida de R$ 1,1 bilhão. Este crescimento ocorre em um período de escassez de crédito no mercado agrícola, demonstrando a capacidade da empresa em transformar sua carteira de pedidos em faturamento e superar um período de maior cautela.

O resultado positivo reflete a estratégia comercial agressiva adotada pela companhia no primeiro semestre, que resultou em uma carteira de pedidos recorde de R$ 1,6 bilhão. Apesar das críticas e até mesmo ameaças de processos por parte de concorrentes, a Boa Safra demonstra confiança em manter a trajetória de crescimento no quarto trimestre.

Segundo Marino Colpo, CEO da Boa Safra, o potencial de expansão permanece elevado, especialmente devido a atrasos no plantio em regiões do norte do Brasil, como Bahia, Maranhão, Piauí e Tocantins, onde as chuvas ainda não chegaram e o embarque de sementes foi postergado.

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Dados recentes indicam que, embora 35% da área nacional já tenha sido semeada, 40% enfrenta atrasos no plantio, principalmente devido à irregularidade das chuvas. No final de setembro, a carteira de pedidos da Boa Safra somava R$ 862 milhões, indicando a conquista de novos pedidos ao longo do terceiro trimestre.

Analistas do mercado financeiro apontam que, para atingir o consenso de mercado de R$ 2,5 bilhões para a receita líquida anual, a empresa precisa repetir o desempenho de conversão de pedidos em faturamento observado no quarto trimestre do ano anterior.

Apesar do crescimento na receita, a Boa Safra enfrentou uma redução na lucratividade. O aumento nas despesas com vendas, resultado do investimento em equipe para expandir a carteira de clientes, impactou a margem Ebitda, que registrou uma queda de 1,3 ponto percentual, atingindo 10% no terceiro trimestre.

Felipe Marques, diretor financeiro da Boa Safra, reconheceu as dificuldades em repassar preços, bem como o impacto do aumento nas entregas diretas a clientes na margem da companhia. Além disso, as despesas financeiras aumentaram 46%, totalizando R$ 36 milhões, devido à emissão de R$ 1 bilhão em CRAs. A empresa também provisionou R$ 2 milhões para perdas com devedores duvidosos.

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Em consequência, o lucro líquido do trimestre apresentou uma leve queda de 1,7%, totalizando R$ 34,4 milhões. Contudo, especialistas do mercado de sementes ressaltam que os resultados da estratégia de crescimento da Boa Safra só poderão ser avaliados com mais precisão a partir de abril, quando será possível analisar a capacidade da empresa em receber os pagamentos no prazo.

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