Brasil assegura fornecimento de chips e evita crise automotiva
Após um período de apreensão no setor automotivo, o governo brasileiro alcançou um acordo crucial com a China para garantir o suprimento contínuo de chips semicondutores, componentes essenciais para a fabricação de veículos no país. A medida estratégica visa prevenir uma nova onda de paralisações nas linhas de produção, similar à crise desencadeada pela escassez global durante a pandemia de Covid-19.
O alerta sobre a possível interrupção no fornecimento de semicondutores partiu da Anfavea, associação que representa as montadoras instaladas no Brasil. A preocupação surgiu em decorrência de uma disputa internacional entre a China e a Holanda, envolvendo a Nexperia, uma empresa subsidiária da Wingtech e um dos maiores fornecedores globais desses componentes.
A crise se intensificou quando o governo holandês interveio na Nexperia, afastando executivos chineses da gestão da empresa sob alegações de segurança econômica. A decisão provocou uma reação imediata por parte de Pequim, que suspendeu temporariamente as exportações de semicondutores, impactando diretamente a capacidade produtiva da Nexperia e gerando apreensão no mercado automotivo global.
A Nexperia é a principal fornecedora de chips utilizados em carros flex no Brasil, o que elevou o grau de urgência da situação. Diante do risco iminente de desabastecimento, o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, articulou um encontro com o embaixador chinês, Zhu Qingqiao, solicitando prioridade nas exportações para o Brasil.
O pedido foi prontamente atendido. O governo chinês se comprometeu a manter o fornecimento de semicondutores, assegurando que as montadoras brasileiras possam continuar operando sem interrupções. A Anfavea saudou a decisão, reconhecendo a agilidade do governo em evitar um cenário semelhante ao de 2021, quando a falta de chips forçou fábricas a suspender turnos e adiar lançamentos.
A crise evidenciou a complexa dinâmica do mercado global de semicondutores e a vulnerabilidade da indústria automotiva brasileira em relação a eventos geopolíticos. A intervenção do governo holandês na Nexperia, justificada por razões de segurança econômica, desencadeou uma série de eventos que culminaram na suspensão temporária das exportações chinesas e na preocupação generalizada entre as montadoras.
O acordo com a China representa um alívio temporário, mas não resolve o problema de longo prazo. Montadoras como Volkswagen e Stellantis confirmaram a continuidade da produção, mas mantêm um olhar atento sobre o desenrolar do conflito entre China e Holanda. A indústria automotiva brasileira, que emprega um número significativo de pessoas, volta a operar em ritmo normal, mas em estado de alerta constante. Especialistas enfatizam a necessidade de o país buscar soluções de longo prazo para garantir a segurança do fornecimento de componentes essenciais para a produção de veículos.
