Brasil luta contra deslocamento climático sem estratégia nacional

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O Brasil enfrenta uma crise crescente de deslocamento climático, caracterizada pelo impacto devastador de eventos extremos como enchentes, secas severas e incêndios florestais. Apesar da magnitude do problema, que afeta milhões de brasileiros, o país ainda não possui uma política pública abrangente e direcionada para mitigar seus efeitos e oferecer suporte às populações vulneráveis.

Um estudo recente, intitulado “Mobilidade Climática no Brasil: Migração, Território e Justiça Ambiental”, conduzido pelo pesquisador Bruno Magalhães, lança luz sobre essa lacuna crítica. A pesquisa detalha como as mudanças climáticas estão forçando pessoas a se deslocarem de suas casas em busca de segurança e melhores condições de vida, criando um novo cenário de migração interna com implicações sociais, econômicas e ambientais complexas.

O estudo ressalta que a ausência de uma política nacional específica para o deslocamento climático deixa as comunidades afetadas desprotegidas e sem o apoio necessário para se adaptarem às novas realidades. A falta de planejamento e coordenação entre os diferentes níveis de governo dificulta a implementação de medidas eficazes de prevenção, resposta e recuperação.

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As consequências da inação são graves. Famílias inteiras perdem suas casas, seus meios de subsistência e suas redes de apoio social. A pressão sobre os recursos naturais e a infraestrutura das cidades que recebem os migrantes climáticos aumenta, gerando tensões e conflitos. A desigualdade social se aprofunda, com os mais pobres e vulneráveis sendo os mais afetados pelos eventos climáticos extremos e pela falta de assistência.

O estudo de Bruno Magalhães destaca a urgência de se reconhecer o deslocamento climático como um desafio central para o Brasil e de se implementar uma política pública que aborde suas múltiplas dimensões. Essa política deve incluir medidas de prevenção, como o mapeamento das áreas de risco e o fortalecimento da infraestrutura resiliente ao clima; medidas de resposta, como a criação de planos de contingência e a garantia de abrigo e assistência emergencial aos deslocados; e medidas de adaptação, como o fomento de atividades econômicas sustentáveis e a promoção da justiça ambiental.

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