Cosan capta R$ 9 bilhões com demanda institucional superando em 10x
A Cosan finalizou a precificação de sua oferta subsequente de ações (follow-on), captando R$ 9 bilhões. A operação visa reduzir a alavancagem financeira da holding, que controla empresas como Raízen, Rumo e Compass.
A oferta, totalmente primária, teve como objetivo principal a entrada do BTG Pactual e da Perfin, que se comprometeram a investir R$ 4,5 bilhões e R$ 2 bilhões, respectivamente. Rubens Ometto, controlador da Cosan, também participou da rodada, investindo R$ 750 milhões através de seu family office, Aguassanta.
O preço por ação na oferta foi fixado em R$ 5, representando um desconto de quase 20% em relação ao preço de mercado das ações.
Além da tranche destinada ao BTG Pactual e à Perfin, a operação incluiu uma oferta de R$ 1,8 bilhão. Metade desse montante foi alocado para investidores de varejo.
Os R$ 900 milhões restantes foram destinados a investidores institucionais, que demonstraram um forte interesse, com ordens de compra que totalizaram aproximadamente R$ 10 bilhões – cerca de dez vezes o volume da oferta. Considerando o montante total da oferta de R$ 9 bilhões, a demanda superou em duas vezes o volume ofertado.
Visando estabilizar o controle acionário, foram impostos períodos de lock-up para as ações adquiridas pelo BTG Pactual e pela Perfin. Metade da posição de cada um terá um lock-up de quatro anos, enquanto a outra metade estará sujeita a um lock-up de três meses. A fatia vendida ao mercado terá um lock-up de dois anos para metade da posição, e a outra metade estará livre de restrições.
Devido a essas restrições, a maior parte dos investidores que participaram da oferta foram fundos locais com mandato para suportar a iliquidez, representando 93% da demanda total. Fundos internacionais responderam por apenas 7% da demanda. O book da oferta foi dominado por fundos long-only brasileiros, que representaram 67% do total. Um banco de desenvolvimento demonstrou interesse na oferta, com uma ordem de compra. O valor do investimento não foi divulgado.
A Cosan planeja realizar uma segunda oferta ao mercado ainda esta semana, com um volume estimado em R$ 1,3 bilhão. Com essa operação, a companhia espera injetar mais de R$ 10 bilhões em seu caixa.
A injeção de capital tem como objetivo reduzir em 57% a dívida líquida da companhia, que encerrou o segundo trimestre em R$ 17,5 bilhões. A Cosan também considera a venda de participações em alguns ativos ao longo do tempo para diminuir ainda mais seu endividamento. Essas iniciativas visam aumentar a cobertura de juros da dívida da holding, reduzir a pressão por pagamentos de dividendos das investidas e diminuir a alavancagem da Cosan para próximo de zero nos próximos anos.



