Criador do chatgpt alerta para o fim de empregos ‘sem propósito’

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O CEO da OpenAI, Sam Altman, reacendeu o debate sobre o futuro do trabalho e o impacto da inteligência artificial (IA) durante o DevDay da empresa. Em uma conversa, Altman afirmou que muitos dos empregos que desaparecerão com o avanço da IA podem nunca ter sido verdadeiros empregos.

A declaração gerou discussões acaloradas, com alguns interpretando-a como uma reflexão filosófica e outros como elitismo tecnológico. No entanto, a fala de Altman levanta questões importantes sobre o real propósito do trabalho humano e como a tecnologia está redefinindo o papel das pessoas nas empresas.

A provocação de Altman se alinha a teorias como a do antropólogo David Graeber, que argumenta que uma parte significativa do trabalho moderno é composta por tarefas burocráticas e sem propósito real. Ao citar a automação por IA como uma forma de eliminar essas funções, Altman sugere que modelos como o ChatGPT poderiam liberar as pessoas para atividades mais criativas e estratégicas.

Embora a ideia de que a maioria dos empregos é “inútil” não se sustente em dados empíricos, pesquisas mostram que uma parcela significativa dos profissionais sente que seus empregos carecem de propósito. Especialistas apontam que essa sensação está frequentemente ligada à má gestão e a processos corporativos engessados, e não necessariamente ao valor da função em si.

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Com o avanço da inteligência artificial, tarefas repetitivas e burocráticas estão sendo automatizadas. Altman argumenta que esse movimento não representa uma ameaça direta aos empregos, mas sim uma reconfiguração do trabalho humano. Ao eliminar tarefas operacionais, a tecnologia abre espaço para que os profissionais se concentrem em análise crítica, resolução de problemas complexos e inovação criativa.

O debate suscitado por Altman levanta a questão fundamental de se a IA é uma ameaça aos empregos ou uma ferramenta de libertação produtiva. Se a automação realmente reduzir o peso das tarefas repetitivas, os trabalhadores poderão se dedicar a áreas mais significativas. No entanto, a transição exige políticas públicas e estratégias corporativas que minimizem desigualdades e preparem a força de trabalho para novas demandas.

Especialistas preveem que, até 2030, centenas de milhões de funções poderão ser automatizadas. No entanto, o resultado final dependerá de como governos e empresas gerirão essa transição. Setores como finanças, logística, atendimento ao cliente e marketing digital já estão passando por profundas transformações.

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Para sobreviver à revolução tecnológica, os profissionais precisarão desenvolver habilidades que as máquinas ainda não conseguem replicar, como pensamento crítico, criatividade, empatia e comunicação interpessoal. A educação também precisará se adaptar, com um foco maior no aprendizado baseado em resolução de problemas e colaboração.

Com o poder de transformar profundamente o trabalho, a IA traz consigo dilemas éticos. A substituição de funções deve ser acompanhada por responsabilidade social e transparência. Empresas que buscam automatizar processos precisam considerar o impacto humano de suas decisões.

O ChatGPT se tornou o exemplo mais visível de como a automação cognitiva está redesenhando a relação entre pessoas e trabalho. A extinção dos chamados “empregos sem propósito” pode representar o início de uma era de trabalho mais consciente, criativo e humano. Mas para que isso aconteça, será preciso repensar políticas de educação, gestão e inclusão, garantindo que o futuro do trabalho seja ético e sustentável.

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