Estresse pós-traumático: entenda o transtorno, seus sintomas e tratamento
O termo “trauma” é frequentemente usado de maneira banal para descrever situações embaraçosas ou de grande susto. No entanto, na medicina e psicologia, o trauma é uma marca profunda deixada por eventos que ameaçam a vida ou a integridade física. Em alguns casos, o cérebro encontra dificuldades em superar a experiência.
É nesse contexto que se manifesta o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), uma condição clínica onde o sistema de alarme do corpo permanece ativado mesmo após o término da situação de perigo.
O TEPT é um distúrbio que surge após a exposição a um ou mais eventos traumáticos. De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), para ser diagnosticado com TEPT, a pessoa deve ter vivenciado morte real ou ameaça de morte, ferimento grave ou violência sexual.
O TEPT é o resultado da combinação de um fator ambiental, o evento traumático, e um desequilíbrio neurobiológico. Durante o trauma, o cérebro é inundado por hormônios de estresse, como cortisol e adrenalina. Em condições normais, esses níveis diminuem após o perigo, mas no TEPT, esse processamento falha.
Estudos de neuroimagem revelam que a amígdala, o centro do medo no cérebro, torna-se hiperativa, enquanto o hipocampo, responsável pela memória, e o córtex pré-frontal, responsável pelo raciocínio lógico e regulação emocional, têm seu funcionamento comprometido. Isso explica por que uma pessoa com TEPT pode reagir a um ruído alto como se fosse uma ameaça iminente, com o cérebro emocional reagindo antes que o cérebro lógico possa avaliar a situação.
O diagnóstico do TEPT é clínico, realizado por psiquiatras ou psicólogos, com base nos critérios do DSM-5. Os sintomas geralmente se manifestam dentro de três meses após o evento, mas podem surgir anos depois, e devem persistir por mais de um mês para caracterizar o transtorno. Os sintomas são categorizados em quatro grupos principais:
Sintomas intrusivos: Memórias recorrentes e angustiantes, pesadelos e flashbacks.
Evitação: Esforço para evitar pensamentos sobre o trauma ou lugares, pessoas e objetos que o relembrem.
Alterações negativas na cognição e no humor: Crenças negativas persistentes, incapacidade de sentir emoções positivas e distanciamento de entes queridos.
Excitabilidade e reatividade alteradas: Irritabilidade, surtos de raiva, hipervigilância, dificuldade de concentração e problemas para dormir.
Embora qualquer pessoa possa desenvolver TEPT, militares em combate, policiais, bombeiros e profissionais de emergência apresentam maior risco devido à maior exposição a eventos traumáticos. Estatísticas indicam que mulheres têm duas a três vezes mais chances de desenvolver TEPT do que homens, devido à maior prevalência de traumas interpessoais de alto impacto, como violência sexual e doméstica.
O tratamento para TEPT geralmente envolve uma combinação de psicoterapia e medicação. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) focada no trauma e a terapia de Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares (EMDR) são as mais eficazes, auxiliando o cérebro a processar a memória traumática. Medicamentos antidepressivos, como inibidores seletivos de recaptação de serotonina, ajudam a equilibrar a química cerebral, reduzindo a ansiedade e a depressão associadas.
Com o tratamento adequado, muitos pacientes experimentam uma redução significativa dos sintomas, recuperando sua qualidade de vida. Embora a psiquiatria geralmente fale em remissão em vez de “cura” definitiva, os sintomas podem desaparecer completamente ou tornar-se residuais, permitindo que a pessoa leve uma vida normal e produtiva. O TEPT também pode afetar crianças, com critérios específicos no DSM-5 para menores de 6 anos, onde os sintomas podem se manifestar através da recriação do trauma em brincadeiras, pesadelos e comportamento socialmente retraído.


