Excesso de energia renovável pressiona sistema elétrico e pode causar apagões

Apagão nacional reacende alerta sobre riscos do excesso de energia renovável e os desafios para equilibrar oferta e consumo no sistema elétrico brasileiro.

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Um incêndio na Subestação de Bateias, no Paraná, provocou uma interrupção de energia elétrica que atingiu todas as regiões do país na madrugada desta terça-feira (14). A falha no Sistema Interligado Nacional (SIN) teve início por volta das 0h30, segundo o Ministério de Minas e Energia, e deixou estados das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste sem energia por pelo menos uma hora. No Sul, o fornecimento só foi restabelecido completamente após duas horas.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou que cobrou explicações das concessionárias responsáveis e instaurou processos de fiscalização para apurar o que motivou a falha. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) também acompanha o caso. O episódio reacende o debate sobre a vulnerabilidade da infraestrutura energética do Brasil e o risco de novos apagões — problema que assombra o país desde a crise de 2001, quando o racionamento de energia se tornou obrigatório em razão da escassez de oferta.

Segundo Walter Froes, presidente da CMU Energia, o crescimento rápido da geração de energia renovável, principalmente solar fotovoltaica, vem trazendo novos desafios. A popularização dos sistemas de geração distribuída — painéis instalados por consumidores em telhados e pequenos terrenos — aumentou significativamente a oferta de energia na rede. No entanto, esse aumento nem sempre é acompanhado pelo consumo, gerando um desequilíbrio que pode sobrecarregar o sistema.

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Froes explica que o sistema elétrico precisa manter equilíbrio entre oferta e demanda. Tanto a falta quanto o excesso de energia podem provocar instabilidade. Quando há mais energia sendo gerada do que consumida, a rede pode ficar sobrecarregada, ocasionando falhas e até incêndios em subestações, como o ocorrido no Paraná. Em casos de excesso, o ONS costuma reduzir a geração de usinas solares centralizadas, em um processo conhecido como curtailment, para evitar colapsos.

No entanto, os pequenos geradores, que produzem energia de forma independente, não estão sob controle direto do órgão.

De acordo com Froes, o preço dos painéis solares caiu cerca de 93% desde 2013, o que impulsionou fortemente o setor e ampliou a geração de energia limpa no país. Ainda assim, o crescimento desordenado e sem integração adequada ao sistema central pode gerar riscos que antes não existiam. Para ele, a falta de controle sobre a produção descentralizada de energia é um dos principais pontos de atenção, já que o país precisa garantir estabilidade, mesmo diante da expansão das fontes renováveis.

O Ministério de Minas e Energia reforçou que o ONS monitora em tempo real o equilíbrio entre geração e consumo, mas reconheceu que o aumento da energia renovável descentralizada impõe novos desafios operacionais. O incidente da Subestação de Bateias é um alerta para a necessidade de aprimorar o controle e o planejamento do sistema, garantindo que o avanço sustentável não comprometa a segurança elétrica nacional.

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