Famílias sofrem com falta de informação após operação letal no rio

Familiares de vítimas da Operação Contenção, realizada no Rio de Janeiro, enfrentam um drama em meio à dor da perda: a falta de informações claras e o longo processo para liberação dos corpos. No aguardo da liberação no Instituto Médico Legal (IML), muitos relatam dificuldades e angústia diante da demora e da escassez de notícias sobre seus entes queridos.
O IML da capital está concentrado exclusivamente no atendimento dos casos relacionados à operação, que resultou em 121 mortes, incluindo quatro policiais. Para auxiliar as famílias, um posto do Detran foi montado ao lado do IML, mas a espera e a incerteza têm gerado grande sofrimento.
Samuel Peçanha, um trabalhador de serviços gerais, busca desesperadamente por notícias sobre seu filho, Michel Mendes Peçanha, de 14 anos. Michel, que morava em Queimados, na Baixada Fluminense, costumava frequentar o Complexo da Penha e estava no local no dia da operação. “Faz dois dias que eu estou procurando alguma informação. Falaram que eles vão ligar, mas ninguém liga, ninguém fala nada”, desabafa Samuel, que teve o último contato com o filho horas antes da operação.
Lívia de Oliveira compartilha da mesma angústia enquanto aguarda a liberação do corpo de seu marido, Douglas de Oliveira. “Todo mundo está vindo aqui desde terça-feira tentando achar uma resposta. Dizem que ele ainda não foi identificado, que tem que esperar porque são muitos corpos. Como a gente deita a cabeça no travesseiro e dorme? Não tem como, é agoniante”, lamenta Lívia.
A situação é ainda mais dramática para os pais de Yago Ravel, um jovem de 19 anos encontrado decapitado. Após insistência e intervenção de deputados, eles conseguiram reconhecer o corpo do filho, mas o pai, Alex Rosário da Costa, expressa sua revolta por ter sido obrigado a assinar o atestado de óbito sem poder ver o corpo. “O meu filho foi espancado, depois ele foi executado e arrancaram a cabeça dele. Em nenhum momento eu pude ver o corpo dele”, denuncia Alex.
O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos, afirmou que a identificação das vítimas da Operação Contenção deve ser concluída até o final de semana. Até o momento, aproximadamente 100 corpos foram identificados, mas os nomes não foram divulgados.
Além da falta de informações, as famílias enfrentam dificuldades financeiras para realizar os funerais. A Defensoria Pública montou um posto de atendimento no IML para agilizar os trâmites para o enterro gratuito oferecido pela prefeitura, que ocorre sem velório e em caixão fechado. O defensor público André Castro critica as condições do serviço gratuito, que considera indignas para a despedida dos entes queridos, mas reconhece que muitas famílias não têm condições de arcar com os custos de um sepultamento particular.
A Operação Contenção, realizada pelas polícias Civil e Militar, tinha como objetivo conter o avanço da facção Comando Vermelho e cumprir mandados de busca e apreensão e de prisão. A ação mobilizou 2,5 mil policiais e resultou em 113 prisões, apreensão de armas e drogas. Os confrontos e as ações de criminosos geraram pânico na cidade, com fechamento de vias, escolas e comércios.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



