Fgts: entenda os riscos do uso incorreto e como proteger suas finanças

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O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), um direito trabalhista fundamental, foi criado para amparar o trabalhador em situações como demissão sem justa causa, aposentadoria, diagnóstico de doenças graves ou em decorrência de calamidades públicas. Em 2025, o FGTS se mantém como uma das principais formas de segurança financeira para o trabalhador brasileiro.

Mensalmente, o empregador deposita 8% do salário do empregado em uma conta vinculada na Caixa Econômica Federal, em nome do trabalhador. Esse montante funciona como uma poupança compulsória, acessível apenas em circunstâncias específicas.

Compreender os perigos de utilizar o FGTS de maneira inadequada é crucial para preservar o patrimônio e evitar problemas financeiros futuros.

Existem diversas modalidades de saque do FGTS, cada uma concebida para atender a diferentes necessidades. A mais conhecida é o saque-rescisão, disponibilizado quando o trabalhador é demitido sem justa causa. Nesta modalidade, é possível sacar todo o saldo acumulado, além de receber a multa de 40% paga pela empresa.

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O saque-aniversário possibilita que o trabalhador retire anualmente uma parcela do saldo do FGTS no mês do seu aniversário. A vantagem é o acesso regular a uma parte do dinheiro, mas a desvantagem é que, ao optar por essa modalidade, o trabalhador perde o direito de sacar o valor integral em caso de demissão.

Em situações de calamidade pública, como enchentes e desastres naturais, o governo permite o saque de até R$ 6.220 por conta vinculada, desde que o município tenha decreto de calamidade reconhecido.

Além dessas modalidades, o FGTS pode ser utilizado para a compra da casa própria ou amortização de financiamento imobiliário, aposentadoria, tratamento de doenças graves como câncer ou HIV, e em caso de falecimento do trabalhador, com a liberação para os dependentes.

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Embora o FGTS seja um recurso valioso, utilizá-lo sem planejamento pode gerar sérias consequências financeiras. Ao aderir ao saque-aniversário, o trabalhador renuncia ao direito de sacar o valor total do FGTS em caso de demissão, podendo comprometer a segurança financeira em momentos de desemprego.

Muitos bancos oferecem empréstimos com garantia do FGTS saque-aniversário, permitindo antecipar até cinco parcelas futuras. No entanto, essa opção pode criar um endividamento, pois o trabalhador perde acesso ao benefício por anos e paga juros sobre o valor antecipado.

Outro erro comum é utilizar o saque do FGTS para gastos de curto prazo, como compras ou viagens, comprometendo sua função de garantia em situações emergenciais. Especialistas alertam que o FGTS deve ser tratado como reserva estratégica, não como complemento de renda.

A falta de atualização de dados cadastrais também pode impedir o saque do FGTS, gerando bloqueios, atrasos ou até a devolução do valor ao fundo. Manter o cadastro atualizado no aplicativo FGTS Digital ou em uma agência é essencial.

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Existem milhares de contas inativas de FGTS no Brasil. Quem trabalhou com carteira assinada antes de 2020 e trocou de emprego pode ter valores esquecidos. Consultar regularmente o aplicativo FGTS é a melhor maneira de garantir que nenhum saldo fique perdido.

O uso mais estratégico do FGTS é na aquisição de imóveis ou amortização de financiamento habitacional, transformando o dinheiro em patrimônio real, garantindo estabilidade e valorização. Se optar pelo saque-aniversário, utilize o valor para quitar dívidas ou investir em projetos de longo prazo, como cursos de qualificação profissional, evitando utilizá-lo para consumo imediato.

O FGTS tem rendimento fixo de 3% ao ano mais a Taxa Referencial (TR), e o governo distribui parte do lucro do fundo aos trabalhadores anualmente. Mesmo não sendo um investimento de alta rentabilidade, ele oferece baixo risco e segurança, servindo como complemento à reserva financeira.

O ideal é ter uma reserva de emergência separada, equivalente a 6 meses de despesas básicas, aplicada em produtos de fácil resgate, para que o FGTS continue cumprindo sua função principal: proteger o trabalhador em eventos extremos.

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O Conselho Curador do FGTS aprovou novas regras que entrarão em vigor em 1º de novembro de 2025, com o objetivo de evitar abusos e preservar o equilíbrio do fundo. Entre as medidas, estão a limitação da antecipação do saque-aniversário a cinco parcelas, valor máximo de R$ 500 por parcela anual antecipada e prazo mínimo de 90 dias após a adesão para solicitar crédito.

O FGTS Digital, lançado em 2024, modernizou a gestão do fundo, permitindo a consulta de depósitos e extratos em tempo real, acesso a informações sobre saldo e empregadores, solicitação de saque direto pelo aplicativo e comunicação mais rápida entre empresas e governo.

Entender o funcionamento do FGTS e suas implicações é uma forma de educação financeira. O benefício, quando bem administrado, pode se transformar em ferramenta de crescimento econômico, mas, quando usado de forma impulsiva ou sem planejamento, pode deixar o trabalhador vulnerável.

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