Greve geral: divergências entre centrais sindicais e governo acentuam tensão

O Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, expressou no parlamento seu entendimento de que a greve geral agendada não se justifica sob a perspectiva dos trabalhadores, sugerindo motivações políticas por trás da iniciativa. Segundo Montenegro, a revisão da legislação laboral seria apenas um pretexto para a paralisação.
Em declarações aos jornalistas no Aeródromo Municipal de Ponte de Sor, João Cotrim Figueiredo, candidato presidencial, apontou que a greve possui motivações políticas por parte da CGTP (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses), mas não necessariamente por parte da UGT (União Geral de Trabalhadores). Ele destacou a divergência sobre o conteúdo do pacote laboral como um fator crucial, onde a greve, na ausência de acordo, emerge como um desfecho legítimo.
Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP, em entrevista, criticou a percepção de que a ministra do Trabalho estaria interpretando de forma independente as propostas do anteprojeto de revisão da legislação laboral, responsabilizando Montenegro pela situação e classificando a abertura negocial como uma “falácia”.
Questionado sobre o impasse, Cotrim Figueiredo preferiu não emitir uma opinião conclusiva. “A CGTP diz que a culpa é do primeiro-ministro, o primeiro-ministro diz que a culpa é da CGTP”, afirmou, ressaltando a dificuldade de se posicionar sem ter participado das negociações. Contudo, ele observou que a negociação ficou paralisada por meses, sem explicação, e que o Governo demonstrava dificuldades de comunicação quando o assunto voltou à tona.
Apesar de discordar de algumas medidas do pacote laboral, Cotrim Figueiredo indicou que, se eleito Presidente da República, não vetaria o diploma. Ele esclareceu que o chefe de estado não deve vetar apenas por discordância total.
Ademais, Cotrim Figueiredo enfatizou a importância de respeitar os direitos de quem deseja trabalhar durante a greve, uma questão que, segundo ele, recebe pouca atenção. Ele defendeu que se discute amplamente aqueles que aderem à greve, mas se ignora aqueles que precisam trabalhar para equilibrar seus orçamentos e não terão apoio financeiro dos sindicatos.
A greve geral, convocada pela CGTP e UGT para o dia 11 de dezembro, é uma resposta ao anteprojeto de lei da reforma da legislação laboral apresentado pelo Governo. Essa será a primeira paralisação conjunta das duas centrais sindicais desde junho de 2013, período em que Portugal estava sob intervenção da ‘troika’.
Fonte: www.noticiasaominuto.com



