Importância da integração governo-empresas para enfrentar a crise climática é destaque

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A colaboração entre o setor público e a iniciativa privada é vista como essencial para enfrentar de forma eficaz a crise climática. Essa foi a principal conclusão de um debate que reuniu gestores e especialistas para discutir os preparativos para a COP30, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. O evento teve como objetivo preparar o Brasil para sediar a conferência, que promete moldar o futuro sustentável do planeta.

Sérgio Xavier, coordenador executivo do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima, enfatizou a necessidade de reformas sistêmicas, criticando a fragmentação das políticas públicas e ações. “O grande desafio é fazer reformas sistêmicas”, afirmou Xavier. “Temos hoje políticas públicas, conhecimentos e atuações fragmentadas. Por isso, devemos unir os atores na mesma perspectiva para construir políticas que obtenham resultados”. Ele defendeu uma transformação abrangente, que envolva políticas, modelos econômicos, financiamento e novas metodologias para integrar as diversas ações.

Xavier também questionou os modelos de negócios focados exclusivamente no lucro, destacando uma iniciativa em colaboração com o Sebrae. “Estamos discutindo com o Sebrae uma metodologia que considera a cadeia econômica do território, os desafios e as soluções, com um modelo que integre política pública, empreendedorismo e desenvolvimento. Em vez de partir da viabilidade financeira, começamos pela análise do ecossistema, da situação em que aquela cadeia está inserida”, explicou.

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Durante o debate, foram apresentadas experiências de soluções locais que abordam desafios ambientais de forma integrada. Um exemplo citado foi o de Curitiba (PR), reconhecida como a cidade mais sustentável da América Latina. Letícia Wolf Moura Justus, coordenadora do Espaço Empreendedor, programa da Agência Curitiba, destacou que a inovação nem sempre requer tecnologia avançada, mas sim a otimização de processos para melhorar a qualidade de vida da população.

Outras iniciativas apresentadas envolveram o reaproveitamento de resíduos sólidos e o fechamento de lixões. No nordeste goiano, um consórcio intermunicipal trabalha em conjunto, aplicando diagnósticos para identificar e fomentar boas práticas entre os municípios vizinhos. Charles Dumaresq, coordenador de políticas públicas e desenvolvimento territorial do Sebrae Goiás, ressaltou a importância de entender os pontos fortes de cada município para promover o desenvolvimento regional.

Francisco Helton Lopes Alcantara, superintendente do Consórcio de Manejo dos Resíduos Sólidos da Ibiapaba (CE), enfatizou a necessidade de incentivar as empresas a enxergar a sustentabilidade como um investimento em economia, desenvolvimento e qualidade. “Estamos trabalhando em conjunto para o encerramento dos lixões para provar que podemos trabalhar uma sustentabilidade com foco na geração de emprego e renda e melhorar as condições climáticas da nossa região”, afirmou.

Fonte: agenciasebrae.com.br

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