Jack o’lanterns: tradição de halloween tem raízes celtas e folclore irlandês

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As abóboras esculpidas com faces horripilantes, conhecidas como Jack O’Lanterns, são um dos símbolos mais icônicos do Halloween. A tradição, com raízes no folclore irlandês e antigas celebrações celtas, nem sempre envolveu abóboras.

A história dessas lanternas remonta ao festival celta de Samhain, em 1º de novembro. Os celtas acreditavam que nessa data, o limite entre o mundo dos vivos e dos mortos se tornava tênue, permitindo a passagem de espíritos. Para afastar entidades malignas, esculpiam rostos em vegetais da época, como nabos, batatas e beterrabas, e os colocavam nas janelas e portas.

O nome “Jack O’Lantern” vem de uma lenda irlandesa sobre Stingy Jack, um ferreiro trapaceiro que enganou o Diabo diversas vezes. A história mais conhecida conta que Jack convidou o Diabo para beber e, para não pagar a conta, o convenceu a se transformar em moeda. Jack colocou a moeda no bolso com um crucifixo, impedindo o Diabo de voltar à forma original. Jack só o libertou após um acordo: o Diabo não o incomodaria por um ano e não levaria sua alma após a morte.

No ano seguinte, Jack enganou o Diabo novamente, pedindo que subisse em uma árvore para pegar frutas e esculpiu uma cruz no tronco, fazendo-o prometer não perturbá-lo por dez anos.

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Após a morte, Jack foi rejeitado no céu por sua natureza pecaminosa. O Diabo, ainda ressentido, também recusou sua entrada no inferno. Condenado a vagar eternamente, o Diabo teve pena de Jack e lhe deu uma brasa para iluminar seu caminho na escuridão.

Jack colocou a brasa dentro de um nabo esculpido, criando uma lanterna. Assim nasceu o “Jack of the Lantern”, contraído para “Jack O’Lantern”, uma advertência sobre as consequências de uma vida de mentiras.

Na Irlanda e na Escócia, a tradição de esculpir rostos em nabos persistiu para afastar Jack e outros espíritos na noite de Samhain.

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Com a imigração irlandesa para os Estados Unidos, a tradição chegou à América. As abóboras, nativas do continente, eram mais abundantes e fáceis de esculpir do que os nabos europeus. A abóbora substituiu o nabo como o vegetal oficial para as Jack O’Lanterns.

A tradição ganhou força na cultura americana durante a colheita de outono, coincidindo com o Dia de Ação de Graças e o Halloween. Escritores ajudaram a consolidar a associação entre abóboras e o terror festivo.

Acredita-se que a lenda do Jack O’Lantern foi associada oficialmente ao Halloween por volta de 1860, tornando-se a decoração mais clássica, iluminando varandas e quintais como um convite à celebração.

Embora o Halloween seja recente no Brasil, o país tem uma produção de abóboras que movimenta milhões de reais. A produção nacional de abóboras e morangas maduras alcança aproximadamente 385 mil toneladas por ano, cultivadas em cerca de 88.150 hectares. Somadas as abobrinhas verdes, o volume anual pode ultrapassar 560 mil toneladas.

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A produção brasileira é estimada em 726 mil toneladas anuais somente de abóboras japonesas (cabotiá ou tetsukabuto) e 551 mil toneladas de abobrinhas, colocando as abóboras entre as cinco principais hortaliças produzidas no Brasil.

Os maiores produtores de abóbora no país são: Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Bahia, Paraná e Santa Catarina, representando 84% do total comercializado. Minas Gerais se destaca na produção da variedade cabotiá.

O retorno sobre o investimento no cultivo de abóboras é elevado devido à demanda interna e à exportação para países europeus. As abóboras brasileiras são usadas na indústria alimentícia, alimentação in natura e medicina.

As abóboras podem ser armazenadas por até três meses em locais sombreados e secos, facilitando a logística.

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A abóbora cabotiá domina o mercado brasileiro por suas qualidades agronômicas superiores. Variedades como Takayama F1 e Furusato destacam-se pela adaptabilidade, facilidade de produção e qualidade pós-colheita.

Além do valor econômico, as abóboras são um alimento de alto valor nutricional, fontes de sais minerais, vitaminas e betacaroteno. O cultivo pode ser realizado durante todo o ano, sendo uma alternativa para rotação de culturas e agricultura sustentável.

O mercado brasileiro de abóboras tem perspectivas de crescimento, impulsionado pela demanda interna e pelas exportações. Com a popularização do Halloween no Brasil, abre-se uma nova oportunidade para os produtores diversificarem sua produção para os mercados alimentício e decorativo.

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