Jbs alcança receita recorde, mas margem ebitda é impactada

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A JBS, gigante do setor de alimentos, reportou uma receita líquida recorde de US$ 22,6 bilhões no último trimestre, representando um crescimento de 13,4% em relação ao ano anterior. O desempenho foi impulsionado principalmente pelos negócios de carne bovina nos Estados Unidos, Brasil e Austrália, beneficiados pelos preços globais mais elevados da proteína.

Apesar do marco na receita, a companhia enfrentou desafios que impactaram sua rentabilidade. A margem Ebitda registrou uma queda de quase dois pontos percentuais, passando de 9,16% para 7,18%. Consequentemente, o Ebitda recuou 11%, totalizando US$ 1,6 bilhão.

Um dos principais fatores que contribuíram para essa compressão de margem foi a escassez de gado nos Estados Unidos, que afetou negativamente a JBS Beef North America, responsável por 30% do faturamento do grupo, com uma margem negativa de 1,3%. A empresa também enfrentou uma base de comparação mais difícil na Pilgrim’s Pride, sua unidade de carne de frango, que havia apresentado margens recordes no ano anterior.

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Além disso, a Seara, outra divisão importante da JBS, viu sua margem diminuir mais de sete pontos percentuais (de 16,8% para 9,2%). Esse declínio foi influenciado pelo fechamento de mercados importantes como a União Europeia e a China para o frango brasileiro durante o trimestre. No entanto, ambos os mercados foram reabertos recentemente, o que pode impulsionar a recuperação da Seara.

Em entrevista, o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, destacou a importância da diversificação da plataforma da empresa para a geração de caixa, mesmo em um cenário adverso.

Apesar da necessidade de um maior capital de giro, consequência dos preços mais altos da carne bovina, e de um desembolso de US$ 377 milhões em recompra de ações, a JBS gerou US$ 382,7 milhões de caixa livre no trimestre. O CFO da JBS, Guilherme Cavalcanti, ressaltou que o fluxo de caixa livre provém das operações da empresa.

A dívida líquida da JBS permaneceu estável em US$ 16,6 bilhões, mesmo com investimentos adicionais em crescimento, que representaram cerca de US$ 200 milhões a mais em relação ao ano anterior. O índice de alavancagem ficou em 2,39 vezes em 30 de setembro, ligeiramente acima das 2,27 vezes registradas no trimestre anterior, mantendo-se em níveis considerados confortáveis. O prazo médio de vencimento das dívidas da JBS é de 15,4 anos.

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Listada na bolsa de Nova York, a JBS possui um valor de mercado de US$ 14,6 bilhões. Desde a listagem, as ações da companhia acumulam uma queda de quase 10%. No entanto, a liquidez do papel tem aumentado gradualmente, o que é um indicador importante para as ambições da empresa de alcançar uma reprecificação com múltiplos mais próximos de seus concorrentes, como a Tyson Foods. Nos últimos três meses, a média diária de negociações com as ações da JBS aumentou 227% em comparação com o mesmo período do ano passado. A companhia aguarda a inclusão nos principais índices de ações, o que tem o potencial de ampliar a liquidez e valorizar o papel.

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