KFC repensa estratégia para reconquistar o mercado de frango frito
O cenário do frango frito nos Estados Unidos apresenta um quadro lucrativo, com exceção de uma marca icônica: o KFC. A rede que popularizou o balde de frango frito enfrenta desafios para manter sua relevância em um mercado dominado por concorrentes como Chick-fil-A, Popeyes e Raising Cane’s.
Enquanto outras cadeias prosperam com lançamentos virais, cardápios inovadores e forte presença nas redes sociais, o KFC tem lutado para acompanhar o ritmo. A situação é tão crítica que um dos líderes da empresa descreveu a marca como “invisível” e “irrelevante”. Dados indicam que o KFC foi a única grande rede de frango a registrar queda nas vendas no ano anterior.
Catherine Tan-Gillespie, presidente do KFC nos EUA, reconhece o problema e admite que a marca se afastou de sua posição de destaque no mercado. A raiz da dificuldade, segundo a executiva, está no foco tradicional do KFC em frango com osso, como as famosas coxinhas fritas no balde. Essa estratégia tem alienado consumidores mais jovens, que preferem opções de carne branca sem osso.
As estatísticas confirmam essa tendência: desde 2020, as vendas de frango com osso diminuíram 4%, enquanto as de frango sem osso aumentaram 11%. Diante desse cenário, o KFC busca inspiração no sucesso do Taco Bell, outra marca da Yum! Brands Inc., conhecida por seus lançamentos frequentes e novidades no cardápio.
A estratégia de revitalização inclui a redução de preços e o retorno do personagem Coronel Sanders, figura emblemática da marca, em campanhas publicitárias ao lado do chef e ator Matty Matheson. O objetivo é claro: reconquistar um lugar entre as três maiores redes de frango dos EUA, após ter sido superado pelo Raising Cane’s.
O KFC aposta na nostalgia para atrair clientes, resgatando clássicos do cardápio dos anos 1990, como o molho honey BBQ e as batatas rústicas. A campanha de relançamento das batatas incluiu o envio do produto para influenciadores gastronômicos, gerando grande repercussão nas redes sociais.
Além disso, a empresa reduziu o preço do sanduíche de frango, mesmo diante do aumento dos custos de matéria-prima. A esperança é que a combinação de nostalgia e preços acessíveis reacenda a conexão emocional dos consumidores com a marca.
No entanto, a geração Z, que representa uma parcela significativa do público de fast-food, mostra menos inclinação pela nostalgia. Esse grupo demográfico prefere tenders e nuggets, opções sem osso que correspondem a apenas uma parte do cardápio do KFC.
Para atrair esse público, o KFC planeja atualizar seu cardápio principal, explorando novas opções de baldes de frango sem osso. A empresa já testou um novo formato de balde com tenders, bolinhos de purê de batata e molho gravy, durante um evento esportivo.
Essa não é a primeira vez que o KFC tenta se reinventar. Em 2013, a empresa lançou uma campanha publicitária em que clientes se surpreendiam ao descobrir que estavam comendo frango sem osso. Apesar do sucesso inicial, a campanha não teve continuidade.
O sucesso da nova estratégia será crucial para Chris Turner, o novo CEO da Yum! Brands, e sua equipe de liderança. A empresa precisa equilibrar a busca por novas tendências com o risco de alienar os clientes fiéis, sem garantia de se destacar em um mercado cada vez mais competitivo.
A falta de investimento no KFC nos últimos anos também é um fator que contribui para a sua situação. Enquanto o Taco Bell recebeu investimentos significativos em publicidade e novos equipamentos, o KFC ficou em segundo plano.
Para Precious McMillon, moradora de Louisville, Kentucky, a experiência nas lojas é um fator determinante na escolha do restaurante de frango frito. Ela observa que o KFC parece “ultrapassado, simplesmente não modernizado” em comparação com o Popeyes, que possui lojas mais novas e atraentes.
Diante desse cenário, o KFC busca reverter a situação com o conceito Saucy by KFC, focado em tenders de frango com uma variedade de molhos para mergulhar. A primeira unidade foi inaugurada e a empresa planeja expandir o conceito para outras localidades.



