Lojas na bahia vendem glitter perigoso para uso em doces, alertam especialistas
A decoração de doces e bolos com glitter, uma tendência crescente, esconde um perigo: a venda indiscriminada de produtos não comestíveis, feitos de plástico, que podem causar sérios problemas de saúde. Apesar dos alertas sobre a proibição desses itens, estabelecimentos especializados continuam a comercializá-los, colocando em risco os consumidores.
Em uma visita a cinco lojas de confeitaria, foi constatado que os produtos de glitter indicados para decoração eram, em sua maioria, impróprios para o consumo, contendo plástico em sua composição. A confusão entre os termos “atóxico” e “comestível” tem levado a equívocos tanto por parte de confeiteiros quanto de consumidores.
A diferença entre “atóxico” e “comestível” é crucial. Enquanto “atóxico” indica que o contato com a pele ou mucosas não apresenta risco imediato, não significa que o produto pode ser ingerido. Plásticos como polipropileno (PP) e polietileno tereftalato (PET) não são digeridos pelo corpo humano e podem conter substâncias químicas tóxicas, causando problemas digestivos e danos a órgãos.
A ingestão de glitter não comestível pode levar a uma série de problemas de saúde, devido aos pigmentos à base de metais como zinco, cobre, chumbo e titânio. Crianças, idosos e gestantes são particularmente vulneráveis. A gravidade dos efeitos depende do volume e da frequência do consumo. Quantidades pequenas, ingeridas acidentalmente, podem não causar efeitos clínicos imediatos, mas a ingestão repetida pode provocar distúrbios intestinais e intoxicações agudas ou crônicas por metais pesados.
Nos últimos cinco anos, foram registrados dois casos de intoxicação leve por glitter na Bahia, um em 2020 e outro em 2022. Embora raros, esses incidentes servem de alerta.
A popularidade do glitter na confeitaria acompanhou as tendências de decoração sofisticada, transformando doces em “joias comestíveis”. No entanto, a dificuldade em identificar produtos comestíveis e não comestíveis nas lojas, devido à semelhança das embalagens, agrava o problema. Mesmo ao buscar orientação, consumidores podem ser direcionados para a mesma seção que contém produtos plásticos não comestíveis.
Plásticos, incluindo o polipropileno micronizado, não são autorizados para uso em alimentos. É fundamental verificar a embalagem, procurando a palavra “comestível” e evitando produtos apenas “atóxicos”. A lista de ingredientes deve ser lida atentamente para identificar a presença de PET, PP ou outros polímeros. Produtos não certificados e glitter industrial para decoração não devem ser ingeridos.
A indústria de confeitaria precisa separar claramente os produtos comestíveis dos não comestíveis, com embalagens e marketing que informem corretamente os consumidores sobre os riscos. Em festas infantis, alternativas naturais para o brilho, como açúcar cristal colorido com corantes aprovados, são mais seguras. Confeiteiros devem treinar suas equipes sobre o risco de produtos plásticos.



