Lula defende ações concretas na cop30 para além dos discursos

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Em artigo publicado nesta quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), a ser realizada em Belém, seja um momento decisivo para a ação climática global. Lula exorta líderes mundiais a assumirem compromissos multilaterais urgentes, condizentes com a gravidade da crise climática.

O presidente enfatizou que, caso as ações efetivas não acompanhem os discursos, a confiança da sociedade nas COPs, no multilateralismo e na política internacional estará comprometida. Nesse sentido, convocou os líderes globais a se engajarem na COP30, buscando transformá-la em um marco de compromisso e seriedade com o futuro do planeta.

Lula destacou a capacidade de resposta coletiva a grandes desafios, mencionando o sucesso na proteção da camada de ozônio e no enfrentamento à pandemia de Covid-19 como exemplos. Ele também lembrou a importância histórica do Brasil na agenda ambiental, citando a ECO-92, onde foram estabelecidos princípios para a preservação do planeta e da humanidade.

A escolha da Amazônia como sede da COP30 não é fortuita, segundo o presidente. O evento trará os olhos do mundo para o Brasil, proporcionando uma oportunidade para que políticos, diplomatas, cientistas, ativistas e jornalistas conheçam de perto a realidade da região. Lula ressaltou que as COPs devem ser mais do que feiras de ideias, servindo como plataformas para ações efetivas.

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No artigo, Lula defende o aumento de recursos para o enfrentamento da crise climática, especialmente para o Sul Global, argumentando que os países ricos, historicamente beneficiados pela economia baseada em carbono, devem assumir suas responsabilidades e honrar seus compromissos financeiros. O Brasil, segundo ele, tem feito sua parte, reduzindo pela metade o desmatamento na Amazônia em apenas dois anos.

O lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) foi outro ponto abordado por Lula. Ele descreveu a iniciativa como um fundo de investimento inovador, com uma lógica de “ganha-ganha”, que remunerará tanto aqueles que mantiverem suas florestas em pé quanto os investidores no fundo. O Brasil se comprometeu a investir US$ 1 bilhão no TFFF, e o presidente espera anúncios igualmente ambiciosos de outros países.

Lula também mencionou a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil, que visa reduzir as emissões entre 59% e 67% até 2035, abrangendo todos os gases de efeito estufa e setores da economia. Ele incentivou outros países a apresentarem NDCs igualmente ambiciosas e a implementá-las de forma eficaz.

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O presidente defendeu o uso dos recursos da exploração de petróleo para financiar uma transição energética justa, ordenada e equitativa. Ele acredita que as empresas petroleiras, como a Petrobras, eventualmente se transformarão em empresas de energia, dada a insustentabilidade de um modelo de crescimento baseado em combustíveis fósseis.

Lula também enfatizou a importância da participação popular nas decisões políticas sobre o clima e a transição energética, lembrando que os setores mais vulneráveis da sociedade são os mais afetados pelas mudanças climáticas. Ele anunciou o lançamento de uma Declaração sobre Fome, Pobreza e Clima em Belém, ressaltando a necessidade de vincular o combate ao aquecimento global à luta contra a fome.

Por fim, Lula reiterou a necessidade de reformar a governança global, com base no multilateralismo, criticando a paralisia do Conselho de Segurança da ONU e defendendo a criação de um Conselho de Mudança do Clima da ONU, vinculado à Assembleia Geral, com uma nova estrutura de governança capaz de garantir o cumprimento dos compromissos climáticos. Ele concluiu afirmando que a COP30 marca o início de uma era de ação efetiva, onde planos de ação substituem cartas de boas intenções.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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