Maiores emissores globais ignoram a cop30 no brasil

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O Brasil se prepara para sediar a COP30 em Belém, Pará, um evento climático de grande importância que visa conciliar produção e preservação. O governo brasileiro confirmou a presença de 50 chefes de Estado e 168 delegações oficiais.

Contudo, a participação dos países do G20, responsáveis por 80% das emissões globais de gases de efeito estufa, ainda é incerta. Até o momento, apenas os líderes da França, Alemanha e Reino Unido confirmaram presença.

A ausência dos maiores emissores de carbono, que frequentemente defendem metas ambientais rigorosas para outros países, levanta questões sobre seu comprometimento com a agenda climática global. Nos fóruns internacionais, esses líderes enfatizam a importância da sustentabilidade, da neutralidade de carbono e da economia verde. No entanto, a realidade demonstra uma grande incoerência, uma vez que muitos continuam a depender fortemente de combustíveis fósseis.

Enquanto exigem que nações em desenvolvimento, como o Brasil, preservem suas florestas e limitem sua produção, esses países parecem relutantes em dar o exemplo. A COP30 reunirá milhares de participantes, incluindo diplomatas, cientistas, empresários e representantes de movimentos sociais. A conferência representa uma oportunidade para o Brasil demonstrar sua capacidade de produzir de forma sustentável.

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A ausência dos líderes do G20 pode comprometer o poder de decisão do encontro, transformando-o em um palco de debates sem resultados concretos. As medidas necessárias para reverter a crise climática, como a redução de emissões, a eliminação de subsídios para combustíveis fósseis e o financiamento de projetos de transformação, dependem da participação ativa dos chefes de Estado do G20.

Para o setor agropecuário brasileiro, a COP30 tem implicações diretas, afetando o acesso ao crédito, as exportações e o futuro da cadeia produtiva. A conferência abordará temas como o financiamento da agricultura sustentável, os créditos de carbono para a preservação e restauração de florestas e as barreiras ambientais impostas às exportações agrícolas.

A ausência do G20 na COP30 pode resultar em um cenário desfavorável para o Brasil, que continuará a ser cobrado por suas práticas ambientais, enquanto os maiores poluidores permanecem impunes. O produtor brasileiro, nesse contexto, enfrenta o desafio de comprovar sua sustentabilidade, ao mesmo tempo em que os países ricos continuam a ditar as regras.

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A realização da COP30 na Amazônia representa um simbolismo importante, permitindo que o Brasil mostre ao mundo sua capacidade de conciliar a produção de alimentos com a preservação do meio ambiente. No entanto, a falta de engajamento político das maiores potências econômicas enfraquece a credibilidade do evento.

Enquanto o Norte global exige compromissos, o Sul global arca com as consequências. A ausência dos líderes do G20 na COP30 expõe a hipocrisia climática global. Os países que mais contribuem para as emissões de gases de efeito estufa evitam o debate, justamente quando ele acontece na floresta que representa o futuro do planeta.

O Brasil, apesar de seus desafios, busca demonstrar que é possível alimentar o mundo sem destruir o meio ambiente. Sem a presença dos grandes poluidores, a COP30 em Belém corre o risco de se tornar um evento com promessas vazias e sem poder de transformação.

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