Mattos filho reforça área de reestruturação com nova sócia

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O escritório Mattos Filho anuncia a chegada de Victoria Villela como nova sócia para sua área de reestruturação, consolidando uma prática que ganha destaque em um cenário econômico complexo. A movimentação visa fortalecer a atuação do escritório em um mercado impulsionado pela alta taxa de juros e restrição de crédito.

Victoria Villela traz consigo uma vasta experiência, tendo atuado nos últimos cinco anos no Felsberg Advogados, após passagens pelos escritórios Bermudes e Pinheiro Neto. Sua chegada eleva o número de sócios na área de reestruturação para cinco.

Há dois anos, o Mattos Filho transformou a prática em uma área independente, atualmente coordenada por Marcelo Ricupero. A estratégia se mostrou acertada, impulsionando o crescimento da área e a necessidade de reforçar a equipe.

O Mattos Filho se destaca por representar majoritariamente credores e investidores em processos de reestruturação, e não as empresas devedoras. O escritório, por exemplo, assessorou os credores da Azul no processo de Chapter 11 da companhia aérea.

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Segundo Marcelo Ricupero, a área de reestruturação tem sido um foco importante do escritório, e o perfil de Victoria Villela se encaixa perfeitamente na estratégia. Ele destaca o perfil empreendedor da nova sócia e sua capacidade de se aproximar dos clientes, além de sua experiência com devedores, que complementa o conhecimento da equipe.

O escritório adota um modelo de remuneração que facilita a entrada de novos sócios, divididos em níveis, com remuneração baseada em um percentual do lucro do escritório, variando de acordo com o nível do sócio.

A área de reestruturação, embora represente menos de 10% do faturamento total do Mattos Filho, que atingiu R$ 1,7 bilhão no ano passado, tem apresentado um crescimento significativo. Enquanto o escritório cresceu 14% em seu faturamento, a área de reestruturação expandiu mais de 30%.

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No Felsberg, Victoria Villela participou de transações relevantes, como na recuperação judicial da Rodovias do Tietê, que envolvia uma dívida de cerca de R$ 2 bilhões e mais de 18 mil debenturistas. Ela assessorou os credores na negociação com a companhia, resultando na conversão de 100% das debêntures em ações da empresa.

A advogada também representou 5 mil debenturistas na recuperação judicial da Americanas, atuando para os credores de cinco das seis emissões da companhia, e assessorou os investidores de um CRI da Casas Bahia durante a recuperação extrajudicial da varejista.

O mercado de reestruturação tem se mostrado aquecido, impulsionado pelos altos juros e pela restrição de crédito. Dados apontam que o Brasil registrou 2.273 pedidos de recuperação judicial no ano passado, um aumento de 62% em relação ao ano anterior, marcando o maior número desde o início da série histórica, em 2006. As projeções indicam um novo recorde para este ano.

Victoria Villela observa que o mercado de reestruturação tem evoluído, demandando soluções mais sofisticadas e estruturais, envolvendo conversão de dívida e emissão de bonds atrelados a ativos, em vez de apenas renegociações de termos e condições.

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