Moçambique perto de acordo para retomada de projeto de gás bilionário

O governo de Moçambique está em fase final de negociações para a retomada de um megaprojeto de gás natural liderado pela TotalEnergies. A previsão é que as conversações sejam concluídas em aproximadamente uma semana, permitindo o anúncio oficial do levantamento da cláusula de “força maior”, que suspendeu as atividades há quatro anos devido a ataques terroristas na província de Cabo Delgado.
A informação foi divulgada durante a abertura da XX Conferência Anual do Setor Privado (CASP), em Maputo, onde o chefe de Estado assegurou que o governo está trabalhando intensamente para concluir os pontos cruciais do acordo. O objetivo é equilibrar os benefícios para a população moçambicana e os interesses dos investidores, garantindo a retomada do projeto o mais breve possível.
As negociações giram em torno das condições impostas pela TotalEnergies, que incluem compensações pelos prejuízos causados pela paralisação das atividades. A empresa havia formalizado o pedido em uma carta enviada à Presidência de Moçambique, comunicando a decisão de suspender a cláusula de “força maior”, mas condicionando o reinício das operações à obtenção de garantias.
A TotalEnergies, líder do consórcio da Área 1 da Bacia do Rovuma, propôs uma prorrogação da concessão para compensar as perdas estimadas em 4,5 bilhões de dólares (equivalente a 3,87 bilhões de dólares) durante o período de suspensão do megaprojeto. Na carta, o presidente da empresa justificou a necessidade da prorrogação para “compensar parcialmente o impacto econômico” causado pelos ataques terroristas em Cabo Delgado, reconhecendo que as condições de segurança para a retomada foram restabelecidas.
A empresa também solicitou a aprovação do governo moçambicano para o custo e cronograma revisados do projeto. O orçamento atualizado visa cobrir os custos adicionais decorrentes da “força maior”, totalizando também 4,5 bilhões de dólares.
O megaprojeto em questão representa um investimento de 20 bilhões de dólares (equivalente a 17 bilhões de euros). A previsão inicial para a primeira entrega de Gás Natural Liquefeito (GNL) da primeira linha, a ser instalada em Afungi, Cabo Delgado, era julho de 2024. No entanto, a concessionária estima agora que essa entrega será realizada apenas no “primeiro semestre de 2029”.
Moçambique possui três megaprojetos aprovados para a exploração das reservas de GNL da bacia do Rovuma, consideradas entre as maiores do mundo. Além do projeto da TotalEnergies , há outro da ExxonMobil (18 mtpa), avaliado em 30 bilhões de dólares, aguardando a decisão final de investimento. A italiana Eni já produz cerca de sete mtpa desde 2022, a partir da plataforma flutuante Coral Sul.
Fonte: www.noticiasaominuto.com



