Multidão recorde protesta contra governo trump nos estados unidos

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Milhões de pessoas foram às ruas em quase todos os estados dos EUA no último sábado, em uma demonstração de força contra o governo do presidente Donald Trump. Organizadas por uma rede de entidades progressistas, sindicatos e grupos de defesa dos direitos civis, as manifestações, sob o lema “No Kings”, criticam o que consideram tendências autoritárias na administração.

O movimento, autodenominado “No Kings”, faz alusão à frase “Não queremos tronos, não queremos coroas, não queremos reis”, expressando preocupação com o que seria um comportamento monárquico do presidente, destoando de um líder eleito em uma democracia.

As pautas dos protestos abrangem uma variedade de temas, desde as detenções de imigrantes, muitas vezes realizadas por agentes não identificados e com legalidade questionável, até cortes de recursos federais em áreas cruciais como educação e proteção ambiental. As alterações nos mapas eleitorais implementadas por estados de maioria republicana, conhecidas como gerrymandering, também foram alvo de críticas.

A organização estima que o número total de participantes nas manifestações pode ter atingido a marca de 7 milhões em todo o país. Estimativas apontam para uma participação entre 5,2 milhões e 8,2 milhões de pessoas. Se confirmado, este seria o maior protesto nacional nos EUA desde o Dia da Terra, em 1970.

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O protesto ocorre em um momento de baixa popularidade de Trump. Pesquisas apontam que o índice de desaprovação do presidente supera o de aprovação. Apesar disso, o Partido Democrata espera obter bons resultados nas eleições para os governos dos estados de Nova Jersey e Virgínia, que ocorrem em anos sem eleições presidenciais ou legislativas. Uma vitória na Virgínia seria particularmente significativa, por se tratar de um estado atualmente governado por um republicano.

Desde a segunda posse de Donald Trump, já foram registrados mais de 29 mil protestos políticos. No mesmo período de 2017, durante seu primeiro mandato, o número de manifestações não chegou a 10 mil.

Em resposta às manifestações, Trump publicou nas redes sociais um vídeo com uso de inteligência artificial em que aparece com uma coroa, pilotando um jato com a inscrição “King Trump” e lançando fezes sobre os manifestantes. O vídeo utilizava a música “Danger Zone”, do filme Top Gun, cujo autor, Kenny Loggins, afirmou não ter autorizado o uso da canção e solicitou a remoção da gravação.

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Questionado sobre os protestos, Trump minimizou a importância do movimento, alegando que os manifestantes não representavam o país e insinuando que os protestos foram financiados por figuras da esquerda radical.

A historiadora Ruth Ben-Ghiat classificou a resposta de Trump como um exemplo da “psicologia dos autocratas”, que não reconhecem limites ao seu poder e transformam o governo em um veículo para satisfazer suas necessidades pessoais, incluindo as financeiras e de poder.

O vice-presidente JD Vance defendeu o vídeo de Trump, considerando-o engraçado e uma forma de “se divertir um pouco com alguns dos absurdos das posições dos democratas”. Outros aliados de Trump também minimizaram a importância das manifestações, alegando se tratar de “ódio à América” e associando os manifestantes a grupos terroristas e criminosos.

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