Novo olhar sobre transtornos mentais foca em pontos fortes
Uma nova perspectiva sobre transtornos mentais pode transformar a maneira como a sociedade e os profissionais de saúde abordam essas condições. Em vez de se concentrar unicamente nos aspectos negativos e limitações, pesquisadores defendem a inclusão dos atributos positivos frequentemente associados a esses transtornos. A abordagem inovadora visa reduzir o estigma, aprimorar o cuidado e oferecer esperança a pacientes e seus familiares.
O estudo, intitulado “Aspectos Positivos nos Transtornos Psicológicos: Uma Agenda para Pesquisa e Mudança Social”, foi elaborado por June Gruber, professora da Universidade do Colorado em Boulder, juntamente com colegas da Universidade Cornell. A análise reúne décadas de evidências que ligam doenças mentais a características como criatividade, empatia, sensibilidade emocional e resiliência.
Pesquisas mencionadas no artigo indicam que indivíduos com esquizofrenia leve, hipomania ou transtorno bipolar tendem a exibir níveis mais elevados de criatividade, buscando com mais frequência carreiras artísticas. Adicionalmente, pessoas com histórico de depressão demonstram uma maior predisposição para a cooperação.
Uma pesquisa envolvendo quase 2.000 estudantes universitários revelou que jovens no espectro bipolar relatam redes sociais mais extensas e um maior senso de apoio, apesar dos desafios inerentes à condição. Outro estudo aponta que indivíduos com alto risco de mania possuem uma capacidade superior de identificar nuances nas emoções de outras pessoas.
O estudo, publicado na revista Current Directions in Psychological Science, também destaca relatos de pacientes que consideram momentos difíceis como catalisadores para o autoconhecimento e o desenvolvimento da resiliência. Uma pesquisa liderada por Jonathan Rottenberg, da Universidade Cornell, revelou que 10% dos participantes diagnosticados com depressão clínica estavam “prosperando” uma década depois, apresentando níveis de bem-estar superiores aos de adultos sem histórico de depressão.
Os autores enfatizam que o reconhecimento dos aspectos positivos não tem como objetivo minimizar o sofrimento ou substituir tratamentos comprovados como medicamentos e psicoterapia. A proposta é ampliar a compreensão, valorizando os pontos fortes individuais enquanto se busca o controle dos sintomas prejudiciais. Segundo Gruber, uma compreensão holística do indivíduo permite um suporte mais eficaz.


