Ouro pode chegar a US$ 5.000 por onça, prevê Bank of America em nova projeção
Bank of America projeta o ouro em US$ 5.000 por onça até 2026, impulsionado por alta demanda e tensões entre EUA e China.

O Bank of America surpreendeu o mercado financeiro nesta segunda-feira ao revisar suas previsões para os metais preciosos e projetar que o ouro pode atingir o valor histórico de US$ 5.000 por onça até 2026. A estimativa coloca o banco como a primeira grande instituição a sugerir um nível tão alto para o metal, reforçando o interesse global por ativos considerados seguros em momentos de incerteza econômica.
Durante o pregão, o ouro à vista ultrapassou os US$ 4.100, alcançando US$ 4.116,77, o maior valor já registrado. A prata também acompanhou o movimento de alta, chegando a US$ 51,70 por onça, refletindo o otimismo dos investidores diante da instabilidade comercial entre Estados Unidos e China.
Segundo o estrategista-chefe de commodities do banco, Michael Widmer, a valorização pode ser explicada principalmente por um aumento expressivo na demanda de investimento, que deve crescer cerca de 14% nos próximos meses. Widmer destacou que a política econômica dos EUA, marcada por déficits fiscais elevados e aumento da dívida pública, tende a manter o cenário favorável ao ouro como reserva de valor.
O banco projeta que, em média, o preço do ouro fique em torno de US$ 4.400 por onça em 2026, enquanto a prata deve alcançar US$ 56,25. Ambos os metais continuam sendo vistos como alternativas seguras diante da expectativa de novos cortes de juros pelo Federal Reserve, que o mercado já precifica em 97% de probabilidade para outubro e dezembro.
Outro fator que reforça a tendência de alta é o movimento recorde dos fundos negociados em bolsa (ETFs) lastreados em ouro. Apenas em setembro, eles registraram entradas de US$ 17,3 bilhões, com destaque para os fundos norte-americanos, que adicionaram US$ 10,6 bilhões. O total de ativos sob gestão atingiu US$ 472,5 bilhões, marcando o maior volume já observado.
Enquanto isso, o mercado de prata enfrenta uma escassez física preocupante. A London Bullion Market Association (LBMA) relatou dificuldades em atender à demanda, com taxas de aluguel acima de 39%, resultado de uma combinação entre restrições de oferta e estoques reduzidos em Londres após transferências para Nova York.
Mesmo com a previsão de queda de 11% na demanda por prata até 2026, o Bank of America acredita que o metal continuará em déficit pelo quinto ano consecutivo, sustentando preços elevados. Além disso, as novas tarifas de 100% sobre produtos chineses, anunciadas por Donald Trump para novembro, aumentaram ainda mais a procura por ativos de refúgio seguro, fortalecendo a corrida por ouro e prata.



