Ouro: R$ 10 mil viram mais de R$ 20 mil em cinco anos
Em tempos de instabilidade econômica, muitos investidores buscam refúgio em ativos considerados seguros. O ouro, conhecido por sua baixa correlação com outros investimentos voláteis, como ações, surge como uma alternativa para proteger o capital, especialmente em cenários de recessão ou conflitos globais. Mas, afinal, qual o retorno real do investimento em ouro nos últimos anos?
Análises recentes mostram que a aplicação em ouro superou até mesmo os títulos públicos indexados à inflação nos últimos cinco anos.
Para ilustrar o desempenho do ouro, foi utilizado como referência o ETF GOLD11, que acompanha a cotação internacional do metal precioso, ajustada pelas variações cambiais. Nos últimos cinco anos, este ativo apresentou uma valorização expressiva de 114,59%. Em comparação, o IMAB11, índice que reflete o comportamento dos títulos de inflação do Tesouro Direto, registrou um aumento de 35,32% no mesmo período.
Em termos práticos, um investimento inicial de R$ 10 mil em ouro há cinco anos resultaria em um montante de R$ 21.459 atualmente. O desempenho do ouro foi mais de três vezes superior ao do IMAB11, consolidando sua posição como um ativo real global de destaque.
É importante notar que, nesse mesmo período, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou uma alta de aproximadamente 30%. Isso significa que o investimento em ouro não apenas preservou o poder de compra, mas também superou a inflação, gerando um ganho real de 85%.
Essa performance do metal precioso pode ser atribuída a dois fatores principais: a valorização do ouro no mercado internacional, que saltou de US$ 1.500 para US$ 2.400 por onça-troy, e a apreciação do dólar frente ao real, que anteriormente era cotado a R$ 4.
Diante desse cenário, surge a questão: ainda vale a pena investir em ouro? A resposta é sim. Em um contexto de juros em declínio nos Estados Unidos e incertezas em relação à estabilidade fiscal e geopolítica global, o ouro mantém sua relevância como um ativo defensivo.
Embora o ouro não deva substituir investimentos tradicionais em renda fixa ou variável, ele pode desempenhar um papel importante no equilíbrio de uma carteira, atuando como proteção contra choques externos.
A forma mais acessível para a maioria dos investidores é por meio de ETFs, que replicam o preço internacional do ouro e eliminam custos associados ao armazenamento, transporte e certificação. Outras opções incluem fundos multimercado ou cambiais com exposição ao metal, bem como contratos futuros de ouro na B3, embora estes sejam mais adequados para investidores experientes. A compra física do metal também é uma alternativa.



