Paul mccartney adere a protesto silencioso contra inteligência artificial

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Paul McCartney, conhecido por sucessos atemporais, junta-se a um movimento incomum de protesto contra o uso indevido de direitos autorais por empresas de Inteligência Artificial. O músico contribuiu com uma faixa silenciosa para um álbum conceitual que visa alertar sobre os riscos da exploração da música e outras formas de arte pela IA.

O álbum, intitulado “Is This What We Want?”, foi lançado originalmente em formato digital e é composto integralmente por ruídos de fundo gravados em estúdios, sem melodias, letras ou instrumentos tradicionais. A iniciativa, que surgiu em fevereiro, busca chamar a atenção para as possíveis consequências de mudanças na legislação de direitos autorais do Reino Unido, que poderiam permitir que empresas de IA utilizassem obras protegidas sem a devida autorização ou compensação.

A faixa de McCartney, denominada “Bonus Track”, consiste em dois minutos e 45 segundos de silêncio absoluto e será incluída na versão em vinil do álbum, com lançamento previsto para dezembro. O silêncio, segundo os organizadores do projeto, simboliza o impacto negativo que as propostas governamentais poderiam ter sobre os artistas e seus meios de subsistência.

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Em entrevista, McCartney expressou sua preocupação com a forma como a IA pode prejudicar os criadores, mencionando o caso de jovens compositores que perdem o controle sobre suas próprias obras. Ele questiona a distribuição dos lucros gerados pelas plataformas de streaming, defendendo que os artistas devem ser devidamente remunerados pelo seu trabalho. “Por que não deveria ser o cara que se sentou e escreveu ‘Yesterday’?”, indagou o músico.

A versão digital original de “Is This What We Want?” continha faixas com títulos de uma única palavra que, quando reunidas, formavam a frase “The British Government Must Not Legalize Music Theft to Benefit AI Companies” (O Governo Britânico Não Deve Legalizar o Roubo de Música para Beneficiar Empresas de IA).

Diversos artistas renomados foram creditados como coautores do álbum, incluindo The Clash, Kate Bush, Annie Lennox, Tori Amos, Damon Albarn, o compositor Hans Zimmer, Billy Ocean e Yusuf/Cat Stevens. Os lucros obtidos com o projeto serão destinados à instituição de caridade Help Musicians, que apoia artistas em dificuldades financeiras e de saúde.

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