Pf mira fraude bilionária no pix em operação internacional
A Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação de grande porte, denominada Magna Fraus, para desmantelar um esquema de desvio de mais de R$ 813 milhões através de fraudes no sistema Pix. A investigação aponta para a invasão de sistemas eletrônicos e transferências fraudulentas orquestradas por empresas que gerenciavam operações com o sistema de pagamentos instantâneos.
O esquema envolvia a retirada de valores de contas pertencentes a instituições financeiras e de pagamento responsáveis por processar as transações Pix de seus clientes. Para ocultar a origem e o destino dos recursos, o grupo utilizava uma rede de empresas intermediárias, servidores e laranjas.
Segundo a PF, as empresas envolvidas no esquema tinham acesso facilitado aos sistemas de liquidação do Pix. Através da invasão de dispositivos eletrônicos e manipulação de transferências, o grupo conseguia movimentar grandes quantias sem levantar suspeitas imediatas. As transações eram realizadas por meio de instituições intermediárias, que efetuavam transferências instantâneas em nome de outras empresas, tornando o rastreamento das operações mais complexo.
As investigações indicam que parte dos recursos desviados foi lavada através de empresas de fachada e investimentos falsos. Há indícios de que o dinheiro foi enviado para contas em Portugal, Argentina e Espanha, o que exigiu cooperação internacional para a investigação.
A Operação Magna Fraus se desenvolveu simultaneamente em cinco países. No Brasil, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão e 26 mandados de prisão em Goiânia, Brasília, João Pessoa e Belo Horizonte.
As autoridades brasileiras contaram com o apoio da Interpol, que emitiu ordens de prisão internacional para suspeitos localizados fora do país. Na Espanha, a operação foi realizada em conjunto com a Brigada Central de Fraudes Informáticas da Polícia Nacional, especializada em crimes cibernéticos.
A PF ressaltou a sofisticação da estrutura do grupo, que atuava de forma coordenada em diversos países, evidenciando o caráter transnacional das fraudes.
Os investigados poderão responder por invasão de dispositivo informático, furto mediante fraude eletrônica e lavagem de dinheiro, crimes previstos no Código Penal e na Lei nº 9.613/1998. As penas, somadas, podem ultrapassar 20 anos de prisão, considerando o agravante da organização criminosa e a transnacionalidade dos delitos. A PF continua analisando documentos, equipamentos e registros financeiros apreendidos durante a operação para identificar todos os beneficiários e quantificar o valor total movimentado.
O Banco Central e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) avaliam novas medidas para rastrear operações suspeitas em tempo real, utilizando inteligência artificial e blockchain para detectar padrões irregulares. Especialistas destacam a necessidade de cooperação internacional no combate às fraudes digitais, já que os criminosos frequentemente movimentam recursos entre diferentes jurisdições para dificultar a investigação.



