Por que o medo de médicos e dentistas é tão comum?

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Sentir um frio na barriga antes de uma consulta médica ou “esquecer” de marcar o retorno ao dentista são reações mais comuns do que se imagina. O ambiente clínico, com sua iluminação característica e odores específicos, pode desencadear uma resposta de aversão em muitas pessoas.

Embora para alguns seja apenas um desconforto passageiro, para outros, essa ansiedade se torna paralisante. Essa reação não é sinal de fraqueza, mas sim uma resposta psicológica e fisiológica real, enraizada em mecanismos de defesa do cérebro.

A ansiedade excessiva e irracional em relação a médicos é clinicamente classificada como iatrofobia. Essa condição pode manifestar-se desde náuseas até ataques de pânico, levando o paciente a evitar cuidados de saúde essenciais.

Já a dentofobia, o medo de ir ao dentista, afeta uma parcela significativa da população. Diferentemente de um simples nervosismo, a dentofobia é um medo intenso que pode ser desencadeado por experiências traumáticas passadas, medo de agulhas ou pela sensação de perda de controle ao estar deitado com a boca aberta.

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Existem alguns gatilhos principais que explicam essa aversão aos consultórios:

O medo do desconhecido: O receio de descobrir uma doença grave ou de ser julgado pelos hábitos de vida faz com que muitas pessoas evitem ir ao médico para não ter que lidar com más notícias.

A Síndrome do Jaleco Branco: O simples fato de estar em um ambiente médico pode elevar a pressão arterial de pacientes que, fora dali, são normotensos. Esse fenômeno é resultado de como o estresse do ambiente clínico afeta o corpo, criando um ciclo vicioso de ansiedade a cada nova consulta.

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Dor e invasão: Procedimentos médicos e odontológicos podem ser invasivos. A antecipação da dor ativa áreas do cérebro ligadas à ameaça, fazendo com que o corpo se prepare para lutar ou fugir.

Entender que esses medos possuem fundamentos biológicos e psicológicos é o primeiro passo. O segundo é lembrar que a medicina evoluiu e hoje o foco no conforto do paciente e no controle da dor é muito maior.

Para enfrentar o medo, algumas estratégias podem ser úteis:

Estabelecer um “sinal de pare”: Combinar um gesto com o profissional para interromper o procedimento caso se sinta desconfortável.

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Hackear o sistema nervoso: Usar a respiração 4-7-8 (inspire em 4s, segure por 7s, solte em 8s) enquanto aguarda.

Evitar a “sofrência” antecipada: Marcar consultas sempre no primeiro horário da manhã.

Bloquear os gatilhos: Levar fones de ouvido com cancelamento de ruído.

Ser transparente: Informar o médico ou dentista sobre o medo logo no início. Profissionais avisados tendem a ser mais pacientes, cuidadosos e explicativos durante o atendimento.

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