Por que o nariz escorre quando as lágrimas rolam?

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O ato de chorar, uma resposta fisiológica complexa a emoções intensas, muitas vezes vem acompanhado de um efeito colateral incômodo: o nariz escorrendo. Longe de ser uma simples coincidência, esse fenômeno tem explicações científicas que envolvem o intrincado funcionamento do sistema nervoso, as glândulas lacrimais e a estrutura interna do nariz.

Quando experimentamos tristeza, alegria extrema, medo ou raiva, o sistema límbico, a central emocional do cérebro, entra em ação. Essa ativação desencadeia o sistema nervoso parassimpático, resultando na liberação de acetilcolina, um neurotransmissor responsável por diversas reações no corpo.

Uma dessas reações é o estímulo das glândulas lacrimais, cuja função principal é lubrificar e proteger os olhos. Em momentos de forte emoção, essas glândulas produzem uma quantidade excessiva de lágrimas, muito além do necessário para a lubrificação. Esse excesso de líquido transborda, resultando nas lágrimas que escorrem pelo rosto.

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Simultaneamente, a acetilcolina também exerce influência sobre a mucosa nasal, o tecido que reveste o interior do nariz. Esse estímulo leva a um aumento na produção de secreção nasal, uma combinação de muco e um fluido conhecido como transudato seroso. O resultado é um acúmulo de líquido dentro da cavidade nasal, culminando no familiar escorrimento nasal durante o choro.

A conexão entre as lágrimas e a secreção nasal reside no canal nasolacrimal, um pequeno ducto que interliga os olhos ao interior do nariz. Em circunstâncias normais, as lágrimas produzidas pelas glândulas lacrimais são drenadas por esse canal de forma quase imperceptível.

Entretanto, durante o choro intenso, a quantidade excessiva de lágrimas não pode ser totalmente eliminada pelos olhos, fluindo para o nariz através do ducto nasolacrimal. Lá, essas lágrimas se misturam com as secreções já presentes na mucosa nasal, aumentando o volume de líquido e desencadeando o escorrimento nasal característico.

Além de estimular a produção de secreção, a acetilcolina pode causar um leve inchaço na mucosa nasal, dificultando a passagem do ar e contribuindo para a sensação de nariz entupido. Esse inchaço, denominado vasodilatação, é similar ao que ocorre durante gripes ou rinites, embora o mecanismo inicial seja diferente.

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Portanto, o nariz congestionado, a respiração dificultada e a voz “nasalizada” que frequentemente acompanham o choro prolongado são resultado da resposta do corpo a uma intensa descarga emocional, na qual o organismo tenta equilibrar o excesso de líquidos produzidos pelas glândulas.

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