Reitores e investigadores buscam mais conexão entre ciência e inovação

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Carta assinada por reitores e investigadores defende maior articulação entre ciência e inovação, propondo medidas concretas para otimizar a relação entre o conhecimento científico e o setor empresarial. A iniciativa surge em um momento crucial, com o governo se preparando para criar a nova Agência de Investigação e Inovação (AI2), que unirá a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e a Agência Nacional de Inovação (ANI).

Entre os signatários, destacam-se figuras proeminentes como Alexandre Quintanilha, presidente do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto, Manuel Sobrinho Simões e Mário Figueiredo, do Instituto de Telecomunicações.

Embora reconheçam a importância do investimento em inovação e ciência, bem como a necessidade de reformar o funcionamento das agências de financiamento, os subscritores da carta argumentam que a fusão das duas entidades pode não ser a solução mais eficaz.

“São necessárias medidas que promovam a articulação na base do sistema e gerem dinâmicas de interconhecimento e de colaboração”, defendem, ressaltando os benefícios de manter duas agências autônomas: uma dedicada a projetos de investigação sob a supervisão exclusiva da ciência, e outra focada na investigação e desenvolvimento empresarial, em consórcios e inovação, sob a supervisão conjunta da ciência e da economia.

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Para fortalecer essa conexão, os signatários propõem a criação de estruturas flexíveis, formadas por investigadores, empreendedores e empresas, para avaliar o potencial do conhecimento gerado e suas possíveis aplicações. Essas avaliações poderiam levar à criação de startups, ao registro de patentes ou ao encaminhamento de soluções para testes laboratoriais, empresas ou entidades do setor público.

A questão das patentes também é abordada na carta, com a proposta de criar um gabinete de avaliação e apoio ao registro e gestão de patentes junto à ANI, visando facilitar o processo e aumentar a valorização da propriedade intelectual.

Os reitores e investigadores defendem ainda o lançamento de novos concursos para financiar o desenvolvimento das componentes de inovação dos projetos de investigação, bem como concursos para candidaturas conjuntas entre empresas, instituições de ensino superior ou institutos de investigação com “ideias e desafios de mercado que necessitam de conhecimento”.

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As propostas seriam avaliadas pela entidade financiadora e, se consideradas adequadas, a entidade empregadora poderia receber financiamento para subcontratar entidades do sistema científico. Adicionalmente, propõem que os fundos do Sistema de Incentivos Fiscais à I&D Empresarial possam ser utilizados para contratar projetos de inovação das entidades do sistema científico e tecnológico nacional.

O decreto-lei que cria a nova agência foi aprovado pelo Governo no início de setembro e aguarda a decisão do Presidente da República. O Ministério da Educação, Ciência e Inovação anunciou que iniciará discussões com representantes das comunidades científica e de inovação para definir o funcionamento da AI2.

Fonte: www.noticiasaominuto.com

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