Rio de janeiro: por que shows internacionais evitam a cidade maravilhosa?

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A cidade do Rio de Janeiro em 2025 (Foto: Chris Jackson / Getty Images)

O Rio de Janeiro, famoso destino turístico e palco do Rock in Rio, enfrenta um período de escassez de grandes shows internacionais. Enquanto outras cidades, como Curitiba, ganham destaque no circuito, a capital fluminense vê um número limitado de apresentações confirmadas para os próximos anos: Dua Lipa em novembro de 2025, Bryan Adams em março de 2026 e The Weeknd entre abril e maio de 2026. Nomes de peso como Guns N’ Roses, Oasis e Linkin Park, entre outros, não incluem o Rio em suas rotas. Especialistas apontam diversos fatores que contribuem para essa situação.

Um dos principais obstáculos é a falta de espaços adequados para grandes eventos. São Paulo se destaca com o Allianz Parque, um estádio bem localizado e estruturado que se tornou o destino preferido de muitos artistas internacionais desde 2014. No Rio, o Maracanã tem disponibilidade limitada devido à temporada de futebol, e o Engenhão enfrenta resistência do público, além de problemas de acesso. A Apoteose, por sua vez, não tem sido utilizada para shows.

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A ausência de espaços de pequeno e médio porte também é um problema. Nem todos os artistas atraem público suficiente para lotar um estádio, e mesmo a Farmasi Arena, com capacidade para até 19 mil pessoas, nem sempre é preenchida. A falta de eventos e espaços dedicados a certos gêneros musicais também contribui para a apatia do público em relação a alguns shows.

A atuação das produtoras também é criticada. Executivos do setor apontam que muitas empresas responsáveis por trazer grandes shows não têm escritórios no Rio e demonstram pouco conhecimento do mercado local. A gratuidade de eventos na praia do Rio, embora seja um atrativo, acaba competindo com os shows pagos.

A segurança é outro fator importante. Apesar de não ser a única cidade com problemas de violência urbana, a imagem do Rio de Janeiro como um local perigoso pode afastar alguns artistas e produtores.

Por fim, a legislação que limita a taxa de conveniência cobrada sobre os ingressos também é um obstáculo. No Rio, essa taxa é limitada a 10% do valor do ingresso, enquanto em outras cidades pode chegar a 20%. Essa diferença representa um desequilíbrio financeiro para as produtoras, que precisam cobrir os custos de produção.

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Apesar dos desafios, especialistas acreditam que há espaço para melhora. A Arena Jockey, inaugurada em 2023, oferece um local adequado para shows de médio porte na Zona Sul da cidade. Além disso, a mobilidade urbana melhorou, facilitando o acesso à Zona Oeste. Produtores estrangeiros demonstram interesse em realizar shows no Rio, e a cidade precisa trabalhar para melhorar sua imagem no mercado.

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