Sojicultores propõem novas métricas ambientais adaptadas aos biomas tropicais
Em meio às discussões da COP30, o setor agropecuário brasileiro ganha um novo impulso com a apresentação da Carta-Manifesto dos Produtores de Soja do Brasil. O documento, lançado pela Aprosoja Brasil, visa estabelecer uma agenda climática mais alinhada com as particularidades dos biomas tropicais, defendendo a implementação de métricas ambientais mais justas e representativas da realidade nacional.
A iniciativa, que busca modernizar as avaliações ambientais no setor, destaca as práticas de conservação já implementadas pelos produtores e propõe a criação de um Sistema Nacional de Métricas e Padrões Tropicais. Este sistema, idealizado para considerar os ciclos tropicais do carbono e os sistemas integrados de produção, surge como uma alternativa às métricas atualmente em vigor, consideradas inadequadas para o contexto brasileiro.
Luiz Pedro Bier, vice-presidente da Aprosoja MT, ressalta que as métricas existentes foram desenvolvidas principalmente para climas temperados, predominantes na Europa, e não refletem com precisão a dinâmica e os desafios enfrentados pelos produtores brasileiros. A Carta-Manifesto, portanto, não tem como objetivo fornecer respostas imediatas, mas sim iniciar um debate contínuo e definir os rumos desejados pelo setor em relação às questões climáticas.
O documento, com 27 páginas, foi elaborado com a colaboração da Aprosoja MT e do professor Daniel Vargas, doutor em Direito pela Universidade de Harvard e membro da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Rio). A proposta de um novo sistema de métricas tropicais é um dos pontos centrais da carta, buscando uma avaliação mais precisa e justa do impacto ambiental da produção de soja no Brasil.


