Trabalhadores da oi temem pelo futuro após decreto de falência

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O decreto de falência da Oi, anunciado recentemente, lançou uma sombra de incerteza e apreensão sobre os milhares de trabalhadores da companhia. A gigante das telecomunicações, outrora líder em infraestrutura no Brasil, enfrenta agora o seu segundo processo de recuperação judicial, deixando seus funcionários em um estado de angústia.

“Foi desesperador, porque as pessoas não sabem exatamente o que significa o decreto de falência e como seus direitos serão preservados”, expressou Luis Antonio Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações do Rio de Janeiro (Sinttel-RJ), refletindo o sentimento geral de decepção e preocupação.

A Oi possui uma vasta operação, abrangendo 7.500 localidades em todo o país, com 4.600 contratos no setor público e 10 mil com empresas privadas. Aproximadamente 13 mil trabalhadores estão ligados à empresa, incluindo 10,8 mil em empresas de manutenção de rede e call centers.

A situação é particularmente delicada para os empregados com valores a receber superiores a 150 salários mínimos. Estes serão incluídos na massa falida, sem previsão imediata para o pagamento de suas verbas rescisórias. Aqueles com créditos de até 150 salários mínimos terão prioridade no recebimento.

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Duas subsidiárias importantes, a Serviços de Rede (Serede) e a Brasil Telecom Call Center (Tahto), também entraram em recuperação judicial. A Serede, com cerca de 5 mil funcionários, enfrenta atrasos salariais, enquanto a Tahto emprega 5,8 mil pessoas. Ambas as unidades estão programadas para serem vendidas pela Oi.

Após a venda da infraestrutura de fibra óptica da Oi para a V.tal, a Serede perdeu seu principal cliente, após o fim do contrato em setembro. A V.tal iniciou um processo de concorrência para contratar novas prestadoras de serviço.

Apesar da crise, a Serede manteve seus funcionários, embora muitos tenham optado por pedir demissão para trabalhar nas novas empresas contratadas pela V.tal. Os que permaneceram foram realocados para outras funções.

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Bruno Matias, um operador multifuncional com 11 anos de empresa, relata que o decreto de falência não foi uma surpresa, mas desencadeou uma grande angústia coletiva, especialmente em relação aos pagamentos. Sem receber o salário do mês, Bruno teve que recorrer a um empréstimo bancário para cobrir as despesas básicas de sua família.

Milton Ibraim, consultor técnico com 13 anos de casa, compartilha da mesma apreensão. Ele explica que, após o término do contrato da Serede com a V.tal, a empresa redirecionou a mão de obra para outras atividades, como a retirada de cobre, sem muita clareza sobre a remuneração. Com a notícia da falência, a incerteza se intensificou.

O Sinttel-RJ, em conjunto com outras entidades sindicais, busca uma reunião urgente com a gestão judicial da Oi e com o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para tratar da situação dos trabalhadores. O objetivo é garantir que todos os empregados, independentemente do salário, recebam integralmente suas verbas rescisórias.

Entidades sindicais também agendaram reuniões com representantes do governo federal para buscar apoio político e jurídico na defesa dos direitos dos trabalhadores. “Tenho esperança de que o direito dos trabalhadores sejam garantidos e preservados. O trabalhador não pode pagar a conta”, enfatizou Amilton Barros, diretor de negociações do Sinttel-RJ.

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A V.tal informou que depositou em juízo os valores devidos à Serede para garantir o pagamento das obrigações trabalhistas. A Serede não se manifestou sobre o assunto até o momento.

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