Virada política argentina atrai olhares de gestores globais ao Brasil
A economia da América Latina volta a figurar no radar de investidores globais, impulsionada por transformações na Argentina. A mudança de cenário no país vizinho tem despertado um renovado interesse em mercados emergentes, inclusive no Brasil.
De acordo com André Lion, sócio e CIO da Ibiúna Investimentos, o “evento Argentina” reacendeu a chama dos investidores pelos mercados emergentes, mesmo que o país não esteja presente nos principais índices globais. Para Lion, as mudanças políticas e as reformas econômicas em curso na Argentina têm influenciado a percepção dos gestores globais, levando-os a reavaliar suas posições em toda a região.
“Vemos esse evento na Argentina, que nem está no índice. Então o investidor ficou de fora. Agora, o Brasil está no índice e não é irrelevante”, comentou Lion. Segundo ele, o movimento argentino gera uma pressão indireta sobre os gestores de fundos de mercados emergentes. A negligência em relação ao Brasil, nesse contexto, poderia se tornar um problema para esses gestores.
Lion observou um retorno de grandes fundos internacionais ao Brasil desde o início de 2025, com o objetivo de acompanhar de perto a realidade política e econômica do país. Esse fenômeno está associado à reconfiguração da América Latina após a ascensão de governos de direita, impulsionada pela Argentina. Investidores estão participando de conferências e eventos em Brasília para entender os rumos do governo e se preparar para o próximo ciclo eleitoral.
A percepção global sobre o risco político na região também parece ter melhorado. Investidores observam uma migração de países da América Latina da esquerda para a direita, com discussões e organização em curso. Isso impulsiona todos a se prepararem e fazerem o “dever de casa”.
Lion vislumbra um futuro promissor nos próximos meses, estimulado pela política monetária global. O Federal Reserve (Fed) já iniciou um ciclo de cortes de juros nos Estados Unidos, o que tende a aumentar a liquidez global e beneficiar ativos de risco, incluindo os emergentes.
“O Fed está flexibilizando e injetando liquidez no mundo. Ativos de risco do mundo todo terão esse movimento. Emergentes são uma classe de risco, e o Brasil está lá”, explicou Lion. Ele também prevê que o Banco Central brasileiro deve seguir a mesma tendência no primeiro trimestre de 2026, iniciando um ciclo de redução da taxa Selic após um período prolongado de juros elevados.
O risco político deve ganhar mais importância no segundo semestre de 2025, à medida que o ciclo eleitoral brasileiro influenciar as expectativas. Lion ressalta que, até lá, as pesquisas e intenções de voto representam apenas “ruído”. Ele também observou que, historicamente, a popularidade do governo tende a aumentar à medida que as eleições se aproximam, e isso já está sendo observado.
Lion reforça que a Argentina, mesmo não estando nos principais índices, serve como um alerta e uma oportunidade para os mercados. Sua virada política e econômica criou um efeito de reposicionamento nos fundos globais, que agora olham para o Brasil como o próximo destino natural de capital estrangeiro.



